Antes de chegar à residência dos consumidores na forma de embalagens, utensílios, vestuário e tantos outros produtos, o plástico percorre um longo caminho.
Da refinaria que extrai a nafta do petróleo até as indústrias que fabricam alimentos, calçados, eletrodomésticos e mais, há uma cadeia complexa e, no centro dela, um elo fundamental: os polos petroquímicos.
Um polo petroquímico é um complexo industrial integrado, no qual empresas de diferentes portes se localizam geograficamente próximas umas das outras para otimizar custos, logística e processos de produção.
No Brasil, a produção de produtos petroquímicos está distribuída em quatro grandes polos: Triunfo (RS), Camaçari (BA), Duque de Caxias (RJ) e Capuava (SP).
Antes do plástico, a cadeia de valor
Para entender melhor o papel das empresas que compõem um polo petroquímico, é necessário explicar a cadeia de valor do plástico a partir da função exercida por elas delas:
Primeira Geração
São as indústrias que transformam matérias-primas básicas, como nafta, em produtos petroquímicos como eteno, propeno e benzeno, utilizados na produção da maioria dos plásticos.
Também chamadas de craqueadoras, elas são abastecidas pelas refinarias que processam o petróleo bruto que saem dos poços. Geralmente, as craqueadoras funcionam como “âncoras” dos polos petroquímicos.
Segunda Geração
Indústrias que utilizam os produtos petroquímicos básicos para fabricar resinas termoplásticas (polietileno, PVC, polipropileno e outros), além de elastômeros, fibras e insumos intermediários.
Representam o “miolo” dos polos, são em maior número e abastecidas pelos petroquímicos básicos de Primeira Geração por tubovias.
Terceira Geração
São os transformadores, que transformam as resinas termoplásticas em insumos para outros setores industriais (embalagens, autopeças, componentes para eletrônicos, calçados etc.).
Embora existam muitos transformadores no entorno dos polos petroquímicos, a grande maioria encontra-se distribuída geograficamente por todo o país, próximas de seus clientes, ou seja, os polos industriais de bens de consumo (indústria alimentícia, moveleira, automobilística), também chamados de Quarta Geração.
Vale notar que um polo não é composto exclusivamente por empresas petroquímicas, podendo abrigar indústrias de química fina, fertilizantes, celulose e outros.
Algumas delas podem atuar como clientes diretos de insumos químicos (tintas, borrachas), enquanto outras utilizam a infraestrutura do polo para suas operações.
Assim, um polo petroquímico pode apresentar características de um hub industrial além da petroquímica pura, no qual outros setores aproveitam a infraestrutura comum (água, energia, logística e efluentes) para se estabelecerem estrategicamente.
A logística industrial
Enquanto a matéria-prima básica nasce na Primeira Geração, o núcleo produtivo e a diversidade de empresas de um polo petroquímico se dão na Segunda.
Entre esses dois elos, a proximidade é um requisito técnico e econômico obrigatório, uma vez que muitos produtos fornecidos pelas centrais de Primeira Geração são gases em temperatura e pressão ambientes, o que inviabiliza o transporte por caminhões ou navios sem complexos sistemas de compressão, refrigeração e armazenagem.
Assim, o transporte é feito por dutos (tubovias), mais seguros e economicamente viáveis.
Já entre a Segunda e Terceira gerações, a proximidade pode ser um diferencial competitivo para reduzir o custo do frete, que compõe uma parcela significativa do preço da resina, e agilizar o recebimento da matéria-prima.
Entrada na indústria de plásticos
Esta, porém, não é a realidade da indústria brasileira de transformação do plástico. Uma vez que as resinas termoplásticas são adquiridas da Segunda Geração em formato de grãos (pellets), elas podem ser transportadas em bags ou a granel em caminhões, trens ou navios sem perda de qualidade.
Por isso, o mais comum é encontrar as indústrias de transformação instaladas em polos industriais mais próximos dos grandes centros consumidores (clientes) em vez dos polos petroquímicos (fornecedores).
De acordo com o mais recente estudo publicado pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), com dados de 2024, o setor de transformados plásticos no Brasil é formado por 12,9 mil empresas espalhadas pelas 26 Unidades da Federação. Quase metade delas (42,3%) estão sediadas em São Paulo, maior estado consumidor do país.
Em resumo, do ponto de vista estritamente petroquímico, o foco funcional de um polo concentra-se na Primeira e Segunda gerações (produção dos insumos básicos e resinas), enquanto a Terceira Geração constitui o vasto mercado de transformação que consome essa produção.
O papel dos distribuidores
Nesse contexto, os distribuidores de resina plástica desempenham papel estratégico e fundamental na cadeia de valor do plástico.
Ainda segundo a ABIPLAST, 95% das indústrias brasileiras de transformação do plástico são de micro, pequenas e médias empresas.
Não é comum que as petroquímicas de Segunda Geração vendam diretamente para fábricas que consomem algumas toneladas de resinas por mês; é o distribuidor que compra das petroquímicas, fraciona o material e entrega em quantidades menores.
Assim, a distribuição simplifica a operação comercial das petroquímicas, reduzindo a necessidade de gerenciar milhares de pequenos clientes e entregas logísticas de baixa escala.
Na maioria dos casos, os distribuidores mantêm centros de distribuição regionais estrategicamente localizados para atender à grande capilaridade da indústria de transformação. Além disso, muitos distribuidores oferecem suporte técnico para auxiliar os transformadores a escolher o tipo ideal de polímero para cada aplicação específica.
No Brasil, o setor é representado pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (ADIRPLAST).
Seus 35 players, entre produtores de resinas plásticas, fornecedores de commodities, plásticos de engenharia, filmes biorientados, masterbatches e compostos, atendem cerca de 8 mil transformadores e respondem por cerca de 12% de todo volume de matérias primas plásticas comercializadas no país (dados de 2023).
Essas empresas, credenciadas pelos fabricantes e que ostentam suas bandeiras petroquímicas originais, mantêm centros de distribuição em todas as regiões do Brasil, num total de cerca de 150 mil m² de armazenagem, o que proporciona entregas em até 24 horas em todos os centros industriais do país.
Agora que você conhece a cadeia e logística do plástico, o que considera mais vantajoso: uma indústria de transformação próxima a um polo petroquímico ou atendida por uma distribuidora?