A Copa do Mundo da FIFA 2026 gerou movimentação significativa no setor de embalagens plásticas. Levantamento da Packster, empresa de embalagens com tecnologia de impressão digital do grupo Zaraplast, identificou crescimento de 15% nos projetos de embalagens temáticas entre maio e junho deste ano.

O aumento foi impulsionado por marcas que desenvolveram edições limitadas e produtos personalizados durante o torneio.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que a Copa do Mundo de 2026 possa injetar R$ 4,32 bilhões no varejo, o que representa aumento de 6,5% no faturamento em relação ao torneio de 2022.

“Datas de grande mobilização, como a Copa do Mundo, criam oportunidades para as marcas se aproximarem do público por meio de produtos e embalagens que dialogam com o momento cultural e o sentimento de pertencimento”, afirma Jack Strimber, CEO da Packster.

Tendências do mercado de embalagens personalizadas

A empresa observou aumento de projetos com identidade visual inspirada na brasilidade, lançamentos sazonais e produtos desenvolvidos exclusivamente para o período do torneio.

A ALVA Personal Care lançou edição especial de lip gloss em embalagem temática, com elementos visuais ligados à identidade brasileira. “Fizemos poucas unidades e já está acabando! Priorizamos a sustentabilidade, a rapidez e uma baixa tiragem para esse projeto”, declarou Ananda Boschilia, CEO da marca.

Segundo Strimber, a busca por pequenas tiragens e flexibilidade produtiva tem permitido que empresas de diferentes portes criem ações sazonais sem necessidade de grandes estoques ou investimentos elevados.

“As marcas estão cada vez mais interessadas em testar novos produtos, criar campanhas de curta duração e lançar edições limitadas para gerar conexão e diferenciação no mercado.”

Grandes eventos como catalisadores da economia circular

Grandes eventos esportivos, culturais e corporativos movimentam turismo, bares, restaurantes, varejo, ativações de marca e uma ampla cadeia de consumo. Em períodos como a Copa do Mundo, esse movimento ganha ainda mais escala, com maior circulação de alimentos, bebidas e embalagens.

Para a Cirklo, empresa brasileira de economia circular, esse cenário deve ser visto também como uma oportunidade para fortalecer o mercado da reciclagem e ampliar a reinserção de materiais reciclados na cadeia produtiva.

A avaliação da companhia é que eventos de grande porte podem funcionar como catalisadores da economia circular, desde que o ciclo das embalagens seja planejado de forma integrada: do consumo à coleta, triagem, reciclagem, rastreabilidade e retorno do material como matéria-prima para a indústria.

“O grande evento concentra consumo, mas também concentra oportunidade. Quando uma embalagem pós-consumo é corretamente destinada e retorna como matéria-prima, toda a cadeia ganha: marcas, consumidores, cooperativas, recicladores, indústria e meio ambiente. A reciclagem precisa ser vista como infraestrutura produtiva para a economia circular”, afirma Irineu Bueno Barbosa Junior, CEO da Cirklo.

Brasil avança na reciclagem de PET

O Brasil já tem uma trajetória relevante na reciclagem de PET. Segundo dados do 13º Censo de Reciclagem da ABIPET, o país reciclou aproximadamente 410 mil toneladas de embalagens PET em 2024, o equivalente a 53% das embalagens descartadas no país.

O avanço também aparece na sofisticação das aplicações: o modelo bottle-to-bottle, em que o PET reciclado retorna para novas embalagens, já representa 37% do destino do PET reciclado no Brasil, tornando-se a principal aplicação da resina reciclada.

Para a Cirklo, esses números mostram que a reciclagem de PET deixou de ser apenas uma agenda ambiental ou de gestão de resíduos. A cadeia evoluiu em tecnologia, controle de qualidade, descontaminação, rastreabilidade, certificações e aplicações de maior valor agregado.

Da gestão de resíduos à visão de cadeia integrada

“Hoje, o debate não pode se limitar à pergunta sobre o que fazer com o resíduo depois que ele é gerado. Precisamos avançar para uma visão de cadeia: como desenhar embalagens recicláveis, como garantir coleta e triagem eficientes, como gerar matéria-prima reciclada de qualidade e como ampliar o uso desse material em novas embalagens”, reforça Irineu.

Esse avanço ganha ainda mais relevância diante do Decreto nº 12.688/2025, que reforça a importância da logística reversa, da responsabilidade compartilhada e da ampliação do uso de material reciclado nas embalagens.

Para a Cirklo, a regulamentação representa um passo importante para dar mais previsibilidade e escala à economia circular no país, ao reconhecer que a gestão das embalagens pós-consumo depende de uma cadeia integrada, com coleta, rastreabilidade, reciclagem de qualidade e demanda consistente por resina reciclada.

Em momentos de grande consumo, como a Copa do Mundo, essa agenda se torna ainda mais concreta: transformar embalagens descartadas em matéria-prima para novas aplicações é uma oportunidade ambiental, econômica e produtiva.

Perspectivas para o setor de plásticos

“Grandes eventos ajudam a tornar essa discussão mais visível. Eles mostram que consumo e circularidade precisam caminhar juntos. O Brasil tem conhecimento técnico, cadeia estruturada e empresas preparadas para avançar. O desafio é ampliar a integração entre quem consome, quem coleta, quem recicla e quem reincorpora o material reciclado em novas embalagens”, conclui Irineu.

A expectativa de injeção de R$ 4,32 bilhões no varejo durante a Copa do Mundo de 2026 representa oportunidade significativa para o setor de plásticos brasileiro. O crescimento de 15% nos projetos de embalagens personalizadas registrado pela Packster demonstra que as marcas já estão atentas ao potencial comercial desses eventos de grande mobilização nacional.

A combinação entre demanda por embalagens temáticas e edições especiais, de um lado, e o fortalecimento da economia circular, de outro, mostra que o setor de plásticos pode transformar grandes eventos em vitrines de inovação, sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.

Aproveite e entenda os impactos da Reforma Tributária sobre a cadeia de reciclagem.