Participar de feiras internacionais é uma ferramenta estratégica para as indústrias de plástico que querem ampliar a participação do mercado externo no negócio.
Na principal feira mundial do setor de embalagens e processamento do mundo, a Interpack, realizada em maio na Alemanha, o Think Plastic Brazil coordenou uma delegação de 17 empresas brasileiras – 13 reunidas no Pavilhão Brasil e as demais em estandes próprios – que realizaram 1.790 reuniões de negócios e estabeleceram 1.440 contatos com potenciais parceiros internacionais.
Como resultado, foram fechados 36 negócios imediatos, além de uma expectativa de 194 em negociações ao longo dos próximos 12 meses.
Os segmentos com maior interesse por parte dos compradores incluíram embalagens flexíveis, embalagens para pet food, soluções para a indústria química, tampas e selos, e filmes de BOPP e PET.
Tenho porte para participar de uma feira internacional?
A boa notícia é que participar de feiras internacionais está ao alcance de empresas de todos os portes. É o que garante Carlos Moreira, diretor-executivo do INP e de projetos no Think Plastic Brazil.
Mas há ressalvas: “Sozinha, uma micro ou pequena empresa dificilmente consegue absorver o custo cheio de uma feira internacional ou de uma missão fora do Brasil”, alerta.
Neste quarto e último episódio da série sobre exportação de transformados plásticos produzida pelo Mundo do Plástico com apoio do Think Plastic Brazil, você vai aprender como participar de feiras internacionais.
O Think Plastic Brazil é um portfólio de soluções para o setor de produtos transformados em plástico no processo de internacionalização, realizado por meio de uma parceria entre a Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e o INP (Instituto Nacional do Plástico).
Quais são os custos envolvidos?
Entre os custos envolvidos em feira internacional ou uma missão fora do Brasil, Moreira elenca:
- Estande na feira
- Passagens
- Hospedagem
- Intérprete
- Material em outro idioma
- Frete de amostras
- Pessoa dedicada da equipe deslocada por uma semana
“Isso, somado, é caro para qualquer empresa de pequeno porte que está começando. Por isso, esse tipo de ação só faz sentido financeiro quando a empresa entra em um modelo coletivo, com custo compartilhado, e com preparação técnica adequada.”
Por esse motivo, as ações desenhadas são executadas em formato setorial, com rateio de custos entre as empresas participantes, Apex Brasil e o Think Plastic Brazil, o que reduz o investimento individual e dá acesso a estrutura, agenda e visibilidade que uma empresa pequena, sozinha, não conseguiria contratar.
Para se ter uma ideia da viabilidade, o diretor cita que a presença de no portfólio do Think Plastic Brazil é de aproximadamente 55% de empresas pequenas e 5% de microempresas.
Sem preparo, a participação pode resultar em desperdício de dinheiro para as empresas iniciantes. Para evitar isso, o Think Plastic Brazil promove capacitações em formação de preço para exportação, comunicação internacional, regras de Incoterms (Termos Internacionais de Comércio), modalidades de pagamento, documentação aduaneira e prospecção.
O portfólio facilita também o acesso ao programa PEIEX (Programa de Qualificação para Exportação), em parceria com a ApexBrasil, que prepara empresas que ainda não exportam.
“Para o iniciante, antes de pisar em feira, a recomendação típica é participar de visitas guiadas, projetos compradores, agendas dirigidas e missões prospectivas, que têm custo menor e permitem aprender o mercado antes de assumir compromisso pleno de estande.”
As vantagens do pavilhão coletivo
Já no caso de empresas pequenas com nível de maturidade maior e alguma experiência exportadora, o modelo de participação em pavilhão coletivo no estande do Think Plastic Brazil entrega visibilidade institucional, agenda pré-construída, suporte de inteligência de mercado, intérprete e estrutura compartilhada.
Assim, o investimento individual fica em um patamar muito menor que o de um estande próprio.
Moreira destaca, no entanto, que as empresas de pequeno porte devem medir o retorno de feira internacional de forma diferente das grandes.
Segundo ele, para quem está começando o objetivo não é necessariamente fechar vendas imediatas, é sim construir base de relacionamento, validar produto, ajustar posicionamento e qualificar contatos para um ciclo de venda que vai se concretizar nos meses seguintes.
“Quando a empresa entra com essa expectativa correta e segue o protocolo de antes, durante e pós-feira que recomendamos no nosso Guia de Internacionalização, a relação custo-benefício é muito favorável.”
Em resumo, feira e missão internacional não são, isoladamente, uma atividade viável para empresa pequena. Mas, dentro de um modelo setorial, com custo compartilhado, preparação técnica e segmentação por maturidade, são extremamente viáveis e indispensáveis para quem quer construir presença internacional de forma consistente.
Como são definidos os mercados estratégicos para exportar?
Antes de pensar em participar de uma feira internacional, é preciso conhecer quais são os mercados mais estratégicos para os transformados plásticos brasileiros.
O Think Plastic Brazil faz essa seleção por meio de um processo metodológico, conduzido em parceria com a Gerência de Inteligência de Mercado da Apex Brasil e com participação direta das empresas apoiadas e prospects.
A última definição se deu em maio de 2025, no contexto do planejamento do 15º Ciclo Estratégico (2026 e 2027), e contempla quatro etapas:
1. Planejamento e destinos potenciais
Unidade de Estratégia e Planejamento de Projetos do Think Plastic Brazil seleciona os principais códigos do Sistema Harmonizado a seis dígitos que as empresas pretendem exportar nos próximos anos, dentro das seis verticais do portfólio: Embalagem, Agribusiness e Insumos no Grupo Técnico, e Construção Civil, Utilidade Doméstica e Brinquedos e Puericultura no Grupo Varejo.
Em paralelo, é construída uma lista de 40 países identificados como destinos potenciais, que formam a base para as etapas seguintes.
2. Análise e formação de lista
A equipe de Inteligência da ApexBrasil aplica uma análise quantitativa baseada em 83 variáveis distribuídas em grupos:
- Volume de comércio
- Crescimento do comércio
- Concorrência
- Macroeconomia
- Indicadores de setor
“Essas variáveis são normalizadas em uma escala de zero a cem, o que permite comparar indicadores em diferentes unidades, dólar, percentual e índice de forma justa”, explica Moreira.
O resultado dessa etapa é uma primeira lista ordenada de países-alvo.
3. Pesquisa interna
As empresas apoiadas e prospects são convidadas a responder uma pesquisa de avaliação por meio de diferentes variáveis, que vão desde a percepção de mercado até questões como língua, cultura e distância geográfica, entre outras.
4. Workshop e priorização de mercados
Workshop presencial, no qual as empresas das verticais apresentam sua leitura, debatem as listas pré-construídas e votam efetivamente nos países que devem ser considerados prioritários e secundários para sua vertical.
Para Moreira, este é um momento não só de validação, mas principalmente de comprometimento. “A empresa que ajudou a escolher o mercado tem mais propensão a engajar nas ações daquele destino”.
O diretor reforça que esse desenho não é estático e responde a movimentos macroeconômicos.
Como exemplo, ele cita que, por ocasião do aumento de barreiras comerciais nos Estados Unidos a partir de 2025, uma das premissas centrais do último ciclo foi a diversificação geográfica, com ampliação consistente de presença em África e Oriente Médio.
5. Análises complementares
Depois do ranqueamento, é feita uma análise complementar com metodologias PESTEL (sigla formada por fatores incontroláveis: Político, Econômico, Social, Tecnológico, Ecológico e Legal) e Cinco Forças de Porter (modelo de análise que avalia o nível de competitividade, atratividade e rentabilidade de um mercado), cujos resultados são cruzados com pesquisa direta junto a importadores e parceiros internacionais nos mercados selecionados.
“Isso permite construir, para cada destino, uma leitura mais aprofundada de cenário macroeconômico, ambiente concorrencial, barreiras e oportunidades, que, depois, alimenta o foco estratégico de cada projeto da agenda comercial.”
Diferenciais competitivos da indústria brasileira
Para encerrar essa série de conteúdo sobre exportação, Moreira deixa um recado: o setor brasileiro de transformados plásticos tem capacidade técnica, design, sustentabilidade e diferenciais competitivos para ocupar muito mais espaço no mercado global do que ocupa hoje.
“O que falta, em muitos casos, não é produto. É plataforma. E plataforma a gente já construiu, basta usar.”
Para o empresário que quer dar o próximo passo, a recomendação é entrar em contato com o Think Plastic Brazil, conhecer as ações do 15º Ciclo Estratégico (2026-2027), avaliar em qual categoria de maturidade sua empresa se encaixa e construir, com a equipe do portfólio de soluções, uma trilha de participação que faça sentido para o seu negócio.
Sua indústria já participou de alguma feira internacional? Coloque também a Plástico Brasil 2027 no seu radar.