O índice de reciclagem, que relaciona a produção de plástico pós-consumo (PCR) ao total de resíduos plásticos gerados, voltou a subir e ficou em 21,3% em 2025, pouco acima do registrado no ano anterior (21,0%).
É o que demonstra o estudo anual Monitoramento dos Índices de Reciclagem Mecânica de Plásticos Pós-consumo no Brasil, realizado desde 2018 pela consultoria MaxiQuim a pedido do Movimento Plástico Transforma – iniciativa do PICPlast, uma parceria entre a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) e a Braskem.
Os resultados foram apresentados em coletiva de imprensa virtual no dia 15 de setembro por Simone Carvalho, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma, e Solange Stumpf, sócia executiva da MaxiQuim.
Principais indicadores
Segundo o estudo, em 2025 houve aumento na produção de PCR, no faturamento bruto da indústria recicladora e no número de trabalhadores empregados:
- Produção de PCR: 1,06 milhão de toneladas (+5,1% sobre 2024)
- Faturamento bruto: R$ 4,2 bilhões (+5,3%)
- Faturamento médio por tonelada: R$ 2.980 (+0,5%)
- Empregos diretos: 21 mil (+4,9%), maior patamar da série histórica
- Empresas recicladoras: 639 (-2,6%)
“Foi um ano de recuperação, depois de um 2023 muito difícil em razão da competitividade com a resina virgem. O desafio, agora, é crescer de forma mais acelerada”, afirmou Solange.
Em relação ao número de empresas, que acumula redução de 10,8% desde o início da série histórica, em 2018, Solange avalia que isso fortalece o setor, pois demonstra consolidação.
“Hoje, temos um maior número de empresas de grande porte, e isso é comprovado pelo aumento no faturamento e nos empregos.”
O que chega às recicladoras e de onde vem
As embalagens (rígidas e flexíveis) se mantiveram como o principal artefato de plástico consumido pelas recicladoras em 2025, respondendo por 69% do total (1,128 milhão do toneladas).
Esse volume chegou às empresas predominantemente pelo comércio de resíduos (sucateiros), que contribuiu com 37% do fornecimento. Em seguida, vêm a indústria (22%) e os beneficiadores (18%).
Em relação à origem dos resíduos plásticos, o estudo faz dois apontamentos relevantes:
- A participação das cooperativas (9%) e dos catadores (menos de 1%) evidencia desafios persistentes na base de coleta e triagem. Esses canais continuam relevantes, mas há dificuldade em fornecerem diretamente para as recicladoras, aumentando a participação dos intermediários.
- O crescimento acima da média das empresas de gestão de resíduos (10%) é uma tendência que deve se acentuar nos próximos anos em função do Decreto nº 12.688/2025.
Embalagens no topo da reciclagem
Na outra ponta, a da produção de resinas pós-consumo, o conjunto de embalagens também desponta na liderança, respondendo por 90% (955 mil toneladas) de tudo que foi produzido.
Peças plásticas de bens de consumo duráveis, como resíduos de construção civil, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, móveis e infraestrutura, somaram 8%, e descartáveis, 2%.
O setores de Alimentos e Bebidas (17% do total) e Higiene Pessoal, Cosméticos e Limpeza Doméstica (13,8%) seguem como os maiores consumidores de PCR.
A construção civil mantém o terceiro lugar, apesar de uma queda de 5% considerada pontual e de acomodação, e não estrutural.
O estudo destaca, ainda, o segmento Industrial, que cresceu mais de 32%, e o de Brinquedos, (aumento de 40%) na comparação com 2024.
O PET continuou sendo a resina mais reciclada, igualando os 39% de 2024. As demais também mantiveram suas posições no ranking, com participação similar ao ano anterior: PEAD (21%), PP (18%) e PEBD/PELBD (15%).
Em termos geográficos, as regiões Sudeste e Sul consolidaram a concentração da produção de resina plástica pós-consumo, apresentando crescimento de 6,5% e 5,9% em volume, respectivamente, em relação ao estudo anterior.
A região Norte se destacou por apresentar o maior avanço proporcional (17,1%), em relação a 2024, embora ainda represente uma parcela muito pequena da produção nacional (pouco mais de 1%).
Já o Nordeste, que vinha registrando crescimento acima da média nos últimos anos, acusou retração de 1,1% em 2025. Na avaliação da MaxiQuim, também neste caso se verifica uma acomodação pontual, e não um ponto de atenção estrutural.
Índice de recuperação do plástico também cresceu
Vale destacar que o Brasil gerou 5 milhões de toneladas de resíduos plásticos em 2025, dos quais apenas 1,064 milhão voltou para a cadeia como um novo produto (é da divisão entre esses dois números que surge o índice de reciclagem 21,3%).
Quando se olha só para as embalagens (produção / resíduos gerados), o índice sobe para 26,6%.
Na análise isolada do índice de reciclagem mecânica por tipo de resina, as que apresentaram melhor desempenho foram:
- PET: 49,2%
- EPS: 30,2%
- PEAD: 29,5%
- PP: 17,5%
- PEBD/PELBD: 9,4%
Ao mesmo tempo, o índice de recuperação, que relaciona o volume de resíduo efetivamente consumido pela indústria recicladora à geração total de resíduos, subiu de 24,9% em 2024 para 25,3% em 2025. No recorte das embalagens, o índice de recuperação salta para 31,4%.
Crescimento da reciclagem exige avanços estruturais
Para Solange, os dados de 2025 indicam uma recuperação da indústria de reciclagem mecânica, mas também mostram que o crescimento sustentável do setor exige avanços em toda a cadeia.
“A disponibilidade de resíduos com qualidade, a regularidade do fornecimento, a eficiência da coleta e da triagem e a competitividade da resina reciclada diante da matéria-prima virgem são fatores decisivos para reduzir a ociosidade e ampliar a produção”, diz.
Na sua opinião, a guerra no Oriente Médio, que elevou o custo da matéria-prima da resina virgem, criou uma janela de oportunidades para a indústria recicladora e deixou o PCR mais competitivo. “A competição com a resina virgem sempre vai nortear a indústria de reciclagem”.
Mesmo com todos os desafios, o Brasil se posiciona como o segundo maior país reciclador de plástico na América Latina, respondendo por 30% do total – atrás apenas do México, com 45%, e muito à frente da Colômbia (14%), Argentina (8%) e Chile (3%).
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