A indústria automotiva é quarto maior consumidor de transformados plásticos no Brasil e responde por 7,2% de tudo que é produzido no país, segundo a Associação Brasileira da Indústria Plástica (ABIPLAST). 

Alguns exemplos de polímeros utilizados pela indústria automotiva são: 

Polipropileno (PP): para-choques, painéis de porta e caixas de roda. 

ABS e blendas de ABS/PC: painel de instrumentos e consoles. 

Poliamidas (PA6 e PA66): coletor de admissão e tampa de motor. 

Policarbonato (PC): lentes dos faróis e lanternas. 

Poliuretano: bancos, estofamentos e isolamento acústico. 

Policloreto de Vinila (PVC): revestimentos de cabos e vedações. 

Polietileno de Alta Densidade (HDPE): tanques de combustível. 

A participação do plástico nos veículos 

Segundo o diretor de Manufatura e de Materiais da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Carlos Sakuramoto, é difícil estimar um percentual de partes e peças plásticas em um veículo, pois pode haver componentes plásticos e metálicos no mesmo conjunto ou subconjunto.  

Para esse cálculo, o recomendado é utilizar a massa. “O percentual em massa de plástico varia de empresa para empresa e de modelo para modelo, e pode variar, em média, de 10 a 15% da massa do veículo”.  

Ou seja, em um veículo de uma tonelada, o conteúdo plástico pode ficar entre 100 e 150 quilos. 

Ele conta que o esforço da indústria automotiva não se restringe a aumentar o percentual de plástico nos veículos, e sim em reduzir a massa sem comprometer a estrutura de segurança e aumentar a autonomia dos veículos eletrificados.  

“A busca por materiais mais leves com propriedades mecânicas semelhantes ao do aço é histórica, e esta busca passa pelo desenvolvimento de ligas de alumínio mais leves, polímeros estruturais e materiais compostos.” 

Vantagens dos plásticos na indústria automotiva 

Para Sakuramoto, além de serem mais leves, os plásticos permitem uma grande e inigualável flexibilidade de manufatura; isto é, várias peças podem ser substituídas por uma única peça injetada. 

Ele elenca outras vantagens do plástico em um veículo em relação a outros materiais: 

  • É resistente a corrosão; 
  • É isolante térmico, acústico e elétrico; 
  • Reduz vibrações e ruídos; 
  • Alta resistência química; e 
  • Absorção de impactos (energia).  

Inovações em polímeros 

Entre as inovações da indústria do plástico para atender a esse setor, os plásticos reforçados vêm sendo amplamente pesquisados e testados. Como resultado, uma grande gama de plásticos e especificações diferentes estão sendo desenvolvidos.  

Sakuramoto aponta que o grande desafio está na busca do equilíbrio entre resistência mecânica, limites operacionais de temperaturas, estabilidade dimensional nas dilatações térmicas e propriedades químicas e elétricas.  

“Como exemplo, podemos citar PA6 ou PA66, que são polímeros (Nylon) com resistência mecânica apropriada e térmica, sendo utilizados em coletores e dutos (componentes semiestruturais), conectores, sensores, módulos, e engrenagens em alguns casos.” 

Ele cita também os policarbonatos de última geração, que apresentam grande resistência ao impacto e alto grau de transparência para lentes, faróis e displays. 

Sustentabilidade no setor automotivo 

De acordo com o Monitoramento dos Índices de Reciclagem Mecânica de Plásticos Pós-consumo no Brasil 2026, realizado pela consultoria MaxiQuim a pedido do Movimento Plástico Transforma, a indústria automotiva consumiu 66 mil toneladas de plástico reciclado pós-consumo (PCR) em 2025 (6% do total). 

Sakuramoto confirma que o uso de desse tipo de material reciclado já é uma realidade na indústria automotiva, mas ainda não é relevante.  

“Algumas montadoras já utilizam PCI de seus próprios resíduos e refugos. Já o PCR apresenta um desafio maior com relação ao seu uso, devido a variabilidade dos materiais, contaminação, degradação e dificuldade de rastrear a origem.” 

O programa MOVER, lembra o diretor, está trazendo a obrigatoriedade de marcação em todas as peças plásticas e exigindo um percentual mínimo de material reciclável e recuperável, convertendo-se em um vetor de direcionamento no uso progressivo de plásticos reciclados.  

Mas, alerta, há algumas barreiras a serem vencidas no caso dos plásticos:  

Homologação: polímeros reciclados no setor automotivo precisam manter as propriedades especificadas ao longo de muitos anos. 

Portanto, introduzir material reciclado implica em validar novamente impacto, fadiga, envelhecimento, desgaste, durabilidade, resistência ao UV, odor, inflamabilidade, estabilidade dimensional e resistência química.  

Variabilidade: os polímeros virgens originais especificados têm propriedades extremamente controladas, enquanto os PCR apresentam muitas variações difíceis de serem controladas.  

Rastreabilidade: pela origem duvidosa, é um desafio dizer que o componente tem um percentual de material reciclado. 

Neste sentido, o MOVER é o programa que apresenta os requisitos obrigatórios para a indústria automotiva com relação ao percentual de materiais que atendam reciclabilidade e recuperabilidade, onde os poliméricos se enquadram e aqueles que compõe os veículos automotivos.  

E embora o decreto 12.688/2025, orientado para a circularidade das embalagens plásticas, não regulamente materiais automotivos e não estabelece conteúdo mínimo destes materiais reciclados nos veículos, Sakuramoto acredita pode afetar o setor de forma indireta. 

“Ele pode ser um dos indutores da cadeia de matérias-primas secundárias, separando e transformando resíduos plásticos rastreáveis e de maior qualidade em insumo reciclado de propriedades que atendam as especificações dos veículos.” 

Sua indústria fornece para o setor automotivo? Quais são as principais inovações que vem sendo desenvolvidas?