Presente há décadas nos processos produtivos, a automação vem cada vez mais avançando sobre outras áreas das indústrias: administrativo, financeiro, jurídico, marketing, atendimento ao cliente.
Nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) acelerou esse processo e provocou mais dúvidas que certezas. Ainda pior, deu origem a mitos que muitas vezes impedem a modernização das indústrias, tirando delas a competitividade.
O processo, porém, é irreversível.
“Não é mais uma questão de ‘se’ a Inteligência Artificial vai impactar o negócio, é uma questão de ‘quando’ e, principalmente, de quem vai sair na frente”, alerta Fernando Baldin, Country Manager LATAM na AutomationEdge, fornecedora de soluções de Hyperautomação, Robotic Process Automation e IT Automation.
Segundo ele, as empresas que conseguem superar esses mitos têm uma vantagem competitiva significativa; já as que permanecerem presas a eles podem descobrir, tarde demais, que a transformação não esperou.
5 mitos sobre IA e automação na indústria
Conheça a seguir alguns mitos que atrasam a implantação da IA.
1. IA vai tirar empregos
A Inteligência Artificial não substitui pessoas; substitui tarefas repetitivas, operacionais e de baixo valor agregado.
Na prática, o que vem ocorrendo não é a substituição de profissionais, mas a substituição de profissionais que não utilizam IA por aqueles que sabem utilizá-la.
Como exemplo de processos otimizados que liberam os profissionais para atividades mais elaboradas, Baldin cita:
- Atendimento ao cliente: deixa de responder perguntas repetitivas e passa a atuar em casos complexos;
- Time financeiro: automatiza processos e passa a analisar dados estratégicos;
- Profissionais de marketing: uso da IA para produção de insights, e não apenas execução de campanhas.
Para o especialista, que tem mais de 25 anos de experiência nas áreas de Gerência Comercial, Recursos Humanos, Inovação e Operações, a ameaça da IA se coloca para as tarefas de alto volume e baixa complexidade.
“Observa-se que a ameaça da Inteligência Artificial está muito mais para a tarefa. O profissional que desenvolve habilidade de estudar continuamente e evoluir adaptando as tecnologias para o seu contexto sempre terá lugar.”
2. IA e automação são viáveis só para grandes empresas
No passado, esse argumento até poderia ser válido, mas não é mais nos dias de hoje.
Entre os exemplos de ferramentas de automação e Inteligência Artificial que se tornaram mais acessíveis, Baldin elenca os modelos freemium (versão básica e gratuita de uma solução com cobrança apenas por recursos avançados), planos escaláveis e soluções no-code (desenvolvimento de sites, aplicativos e automações sem necessidade escrever linhas de código).
Ele explica que, ao contrário do que diz o mito, são as pequenas e médias empresas que tendem a se beneficiar da IA, já que podem automatizar atendimento, vendas, cobrança, geração de relatórios e processos internos sem precisar aumentar a estrutura e contratar novos colaboradores.
“O que antes exigia um departamento inteiro, hoje pode ser resolvido com fluxos automatizados e Inteligência Artificial. Isso está criando um cenário competitivo em que PMEs conseguem escalar mais rápido, com menos estrutura e maior agilidade.”
3. Tempo e complexidade de desenvolvimento
“Outro mito que ficou preso ao passado”, lembra Baldin, “já que a nova onda de automação é baseada em plataformas no-code e low-code, que permitem criar fluxos automatizados sem conhecimento técnico avançado”.
Para as empresas que querem começar a implementar a IA nos seus processos, ele orienta que devem seguir o mesmo caminho de qualquer outra inovação.
“Comece se perguntando que atividades que hoje não são possíveis de serem feitas, mas se fossem executadas, melhorariam muito a qualidade do serviço, o volume de vendas, ou até mesmo a percepção do cliente para com o seu negócio.”
A dica é entender como o cliente enxerga valor no negócio da empresa e, a partir daí, escolher a tecnologia, que pode ser desde a otimização de um processo até a adoção de uma ferramenta de gestão de fluxos de processos, eventualmente com o uso da Inteligência Artificial.
4. Automatização afasta clientes
Pode ser verdade se a automação for sinônimo de atendimento robotizado e frustrante. Mas, com a Inteligência Artificial, a automação é capaz de entender linguagem natural, manter contexto de conversas, adaptar tom de comunicação, personalizar respostas e, principalmente, assumir o volume de interações repetitivas.
“Isso libera os times humanos para focarem nos casos mais complexos, sensíveis e estratégicos, nos quais o fator humano realmente faz diferença. Na prática, a automação não reduz os humanos, ela redistribui a humanização”.
Como consequência, o cliente encontra um atendimento mais preparado, consultivo e atento.
5. A IA resolve tudo sozinha
“Talvez o mito mais perigoso seja acreditar que a Inteligência Artificial é uma solução mágica”, aponta Baldin.
Na verdade, IA amplifica o que já existe: se o processo é bom, torna-o mais eficiente; se o processo é ruim, acelera o problema.
“Um processo que pode ser piorado, por exemplo, é de empresas que acabam afastando o cliente na ilusão de que resolver automaticamente as demandas de atendimento é diretamente proporcional à qualidade desse atendimento.”
Por isso, implementar automação sem revisar processos pode gerar mais caos do que eficiência. “O sucesso depende de três fatores: processos bem definidos, curadoria humana e estratégia clara”.
O desafio da barreira cultural
Como se vê, no atual estágio de desenvolvimento, o que atrasa a automatização é menos o fator tecnológico e mais as barreiras da cultura corporativa.
Baldin reconhece que toda nova tecnologia tende a assustar as pessoas, mas defende que superar a barreira cultural é a chave para o sucesso da adoção da Inteligência Artificial nas empresas.
Como dica, ele ensina uma estratégia de humanização das relações entre os colaboradores e a IA: dar o nome para o robô, criar um e-mail, criar um perfil na rede social interna, gerar comunicação dos resultados que eles têm que trocar entre si.
Para o especialista, o maior risco das empresas hoje é não ter conhecimento do impacto das tecnologias atuais, e das que vão surgir, sobre seu mercado.
“Esses mitos não apenas distorcem a realidade, mas criam uma barreira cultural que pode ser mais difícil de superar do que a própria implementação tecnológica”, conclui.
Você identifica barreiras culturais que atrasam o uso da Inteligência Artificial na sua indústria? O que tem feito para superá-las? Siga acompanhando as inovações para o setor no Mundo do Plástico.