Eficiência logística, conveniência, funcionalidade e praticidade para o consumidor, adaptabilidade para diferentes formatos e tamanhos de produtos, menor impacto ambiental em relação às embalagens rígidas.

Estas são algumas das muitas vantagens das embalagens flexíveis.

Segundo pesquisas recentes da Maxiquim encomendadas pela Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (ABIEF), a produção mantém um crescimento sustentado nos últimos anos, refletindo a força do setor.

“A embalagem plástica flexível é uma solução inovadora e versátil amplamente utilizada na indústria de embalagens”, diz o empresário Rogério Mani, presidente da ABIEF.

Para se ter uma ideia, o Brasil é o maior mercado destas embalagens na América do Sul, respondendo por 54% das 3,9 milhões de toneladas produzidas na região.

Em termos de consumo per capita, nosso país ocupa a terceira posição no continente (10 kg/habitante), atrás do Chile (15,4 kg/habitante) e Argentina (15 kg/habitante).

Processos de produção: extrusão e laminação multicamadas

A produção de embalagens flexíveis envolve processos críticos como a extrusão balão (blown film) e a laminação, que podem gerar filmes monocamada ou multicamadas, dependendo das propriedades que o produto exigir da embalagem.

Por meio de tecnologia de ponta, as resinas termoplásticas – especialmente PE (polietileno) e PP (polipropileno) – são transformadas em filmes que depois são convertidos em embalagens que se destacam por sua resistência, leveza e flexibilidade.

As resinas mais utilizadas são o PEBD (polietileno de baixa densidade) e PELBD (polietileno linear de baixa densidade), que, juntas, participaram com a esmagadora maioria de todo o volume produzido nas últimas avaliações de mercado.

Em seguida vem o PP (polipropileno) com 16% e o PEAD (polietileno de alta densidade) com 7%.

“A escolha do PEBD e do PELBD como resinas predominantes na produção de embalagens flexíveis é respaldada por uma combinação única de propriedades físicas e químicas que atendem às exigências do setor”, explica Mani.

Vantagens das resinas PEBD e PELBD na conversão

O presidente da ABIEF elenca as vantagens que fazem dessas resinas as preferidas pela indústria:

  • Flexibilidade: Ambas possuem uma estrutura molecular que confere alta flexibilidade aos filmes produzidos, permitindo a produção de embalagens de diferentes formatos e tamanhos que garantem versatilidade para os fabricantes.
  • Selagem eficiente: As características dessas resinas facilitam a selagem eficiente das embalagens, garantindo a integridade do conteúdo e prolongando a vida útil dos produtos embalados.
  • Barreira contra agentes externos: O PELBD e o PEBD apresentam boas propriedades de barreira contra umidade, oxigênio e luz, protegendo os produtos sensíveis e aumentando consideravelmente o shelf life (vida de prateleira) dos alimentos nos supermercados.
  • Resistência mecânica: A resistência ao rasgo e à perfuração é uma propriedade crucial em embalagens flexíveis. Ambos os polietilenos de baixa densidade oferecem excelente tenacidade, garantindo a integridade da embalagem durante o transporte e manuseio.
  • Custo efetivo: Essas resinas são conhecidas por serem economicamente viáveis em comparação com outras opções no mercado de polímeros. A relação custo-benefício torna-as atrativas para fabricantes que buscam eficiência na produção de embalagens.
  • Processabilidade: Tanto o PELBD quanto o PEBD são facilmente processados em técnicas comuns na indústria, como extrusão e laminação, o que contribui para a eficiência na produção.
  • Reciclabilidade: A reciclabilidade dessas resinas é uma consideração importante em um contexto de crescente conscientização ambiental. A capacidade de reciclar essas embalagens contribui para práticas mais sustentáveis na cadeia de produção.
  • Versatilidade de aplicações: PELBD e PEBD são adequadas para uma ampla variedade de aplicações, desde bobinas técnicas para empacotamento automático de alimentos até sacolas plásticas, abrangendo diversos setores da indústria.

A partir disso, fica fácil entender por que a indústria de alimentos é a que mais consome embalagens flexíveis no Brasil (o equivalente a 42% da produção), bem à frente das demais, como agropecuária (16%) e industrial (14%).

O desafio da logística reversa e reciclagem de embalagens flexíveis

O volume de resinas recicladas utilizado na produção de embalagens flexíveis ainda é baixo: 4%.

Para Mani, o principal desafio para aumentar esta participação na economia circular está na falta de um sistema abrangente e contínuo de coleta seletiva das embalagens e destinação correta aos recicladores.

“As barreiras tecnológicas para a reciclagem já estão sendo superadas. Falta agora o consumidor se conscientizar sobre a importância de um descarte correto e o poder público fazer a sua parte na coleta e correta destinação”, aponta.

Entre as dificuldades operacionais provocadas pelo descarte incorreto está o aumento de custo decorrente da dificuldade de higienização pelos agentes recicladores, conforme apontado por Alceu Lorenzon durante as recentes edições do Fórum de Economia Circular.

Mani concorda: “Sim, ainda convivemos com este desafio. E a solução reside na educação do consumidor sobre o pós-consumo”.

“Mas”, conclui, “não há dúvidas que a embalagem plástica flexível representa uma evolução significativa no cenário das embalagens, atendendo não apenas às demandas técnicas, mas também às expectativas crescentes por soluções sustentáveis e eficientes no mercado atual”.

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