O uso de artefatos plásticos na agricultura está presente em praticamente todas as etapas do cultivo, desde o plantio (cobertura, proteção, irrigação) até a colheita, armazenagem e distribuição.
Os ganhos de produtividade oferecidos pela plasticultura são muito conhecidos, mas a baixa utilização do material no campo brasileiro abre um campo fértil a ser explorado pela indústria de transformação.
O mercado global de filmes agrícolas alcançou uma avaliação de US$ 12,9 bilhões em 2025, com projeção de saltar para mais de US$ 29 bilhões até 2033.
No Brasil, o cenário reflete esse aquecimento. Segundo o Perfil Abiplast 2025, a indústria do plástico projeta investimentos de R$ 31,7 bilhões até 2027, impulsionada pelo agronegócio, que já registra saltos expressivos, como o crescimento de 35% no uso de plásticos reciclados, rompendo a estagnação de consumo do passado.
O dado evidencia o grande potencial para os transformadores, fato fomentado pelo Cobapla (Comitê Brasileiro de Desenvolvimento e Aplicação de Plásticos na Agricultura), que promove a disseminação do uso do plástico no campo. Hoje, a busca por resiliência climática e maior rendimento por hectare tem feito a adoção do cultivo protegido e de filmes agrícolas superar expressivamente as médias históricas da última década.
Plástico Mulching
Entre os plásticos utilizados pelos agricultores destaca-se o filme mulching, que faz a cobertura do solo e apresenta muitas vantagens para otimizar o desempenho de diversas culturas:
- Protege contra intempéries e auxilia no controle da erosão, da umidade e da temperatura do solo;
- Diminui a incidência de ervas daninhas e contribui com a redução de uso dos defensivos agrícolas;
- Diminui a perda de água e melhora o aproveitamento de fertilizantes;
- Evita o contato da cultura com o solo, diminuindo a contaminação por fungos e bactérias;
- Confere maior uniformidade e desenvolvimento das plantas.
Uma das principais características do filme mulching é sua alta resistência às intempéries e a garantia de uso por um período considerável. Esta regra, aliás, vale para todos os transformados plásticos utilizados na agricultura, tanto que a Abiplast classifica esta categoria como de ciclo médio de vida (de 3 a 5 anos).
Existem três tipos de filme mulching, cuja aplicação varia de acordo com as condições climáticas da região e da cultura cultivada.
Preto e Branco: Ideal para controle da temperatura. A parte branca voltada para cima reflete a luz solar, produz baixo aquecimento do solo e evita queimação das folhas. A luz refletida colabora inclusive no processo de fotossíntese.
Preto e Prata: Tem as mesmas características de absorção mais amena dos raios solares e de preservação da temperatura do solo, com a vantagem que a alta reflexão da luz tem ação repulsiva a insetos voadores.
Preto: De alta resistência, durabilidade e elasticidade, é indicado para regiões mais frias, pois sua cor proporciona maior absorção de calor e aumenta a temperatura do solo.
Oportunidades para a indústria
A discrepância entre a grande quantidade de áreas cultiváveis no Brasil e a baixa incidência da plasticultura representa uma janela de oportunidades para a indústria do plástico atuar ativamente neste segmento.
Em termos de adoção de cultivo protegido, o Brasil segue expandindo sua infraestrutura para proteger as lavouras das crescentes anomalias climáticas. Apesar de o agronegócio nacional bater recordes sucessivos (com a safra de grãos superando a marca de 346 milhões de toneladas em 2025, segundo o IBGE), a proporção de plasticultura utilizada na nossa vasta extensão territorial ainda é consideravelmente menor quando comparada aos altos índices de adoção vistos em mercados densos da Ásia e da Europa.
Para Hugo Vidal Reis, engenheiro agrônomo e membro da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná, falta uma maior divulgação das vantagens do uso do mulching. “Por outro lado, precisaria haver também uma campanha de incentivo para recolhimento do plástico já utilizado, pois este tem sido um problema ambiental dentro das propriedades.”
O dilema ambiental
À parte os inegáveis benefícios do filme mulching para a agricultura, a questão da sustentabilidade deve ser levada em conta. Devido à necessidade de resistência, flexibilidade e durabilidade, o polietileno (PE) é o polímero mais utilizado na sua fabricação. Já existe uma alternativa mais amigável ao meio-ambiente, o bio-polietileno, um bioplástico produzido a partir de matérias-primas oriundas de fontes renováveis.
Porém, o bio-polietileno não é biodegradável e não elimina os riscos de uma eventual contaminação do solo. Neste sentido, a biodegradação é o maior desafio a ser superado pela plasticultura. Este processo demanda alto grau de controle, já que as condições climáticas a que é o mulching é submetido, somadas à presença de água, calor e micro-organismos, podem acelerar o processo de degradação do filme antes do fim do ciclo da cultura, reduzindo seu desempenho e comprometendo o resultado.
“Esses plásticos precisariam ter um percentual melhor de degradação dentro do tempo estipulado para uso. Alguns produtores acabam queimando aquela ‘montanha’ de plástico usado e criando outro problema, que é a fumaça da combustão desse material”, alerta Vidal Reis.
Sua indústria está atenta às oportunidades oferecidas pela plasticultura? Como este segmento tem sido explorado no seu mix de produtos?
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