O Brasil exportou U$ 1,38 bilhão (292 mil toneladas) de transformados plásticos em 2024, segundo o mais recente perfil da indústria publicado pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST).
Embora significativo, é um valor com enorme potencial de crescimento, e a exportação oferece numerosas vantagens para as empresas do setor.
“Quando uma empresa me pergunta se vale a pena exportar, eu sempre devolvo a pergunta: vale a pena depender de um único mercado? A resposta, em geral, é não. E aí o caminho fica mais claro: a internacionalização não é apenas oportunidade, é uma estratégia inteligente de gestão de risco, com efeito colateral positivo de aprendizado, ganho de escala e fortalecimento competitivo”, garante Carlos Moreira, diretor-executivo do INP e de projetos no Think Plastic Brazil.
Internacionalização com resultados concretos
O Think Plastic Brazil é um portfólio de soluções para o setor de produtos transformados em plástico no processo de internacionalização, realizado por meio de uma parceria entre a Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e o INP (Instituto Nacional do Plástico).
Ao longo de 20 anos de atuação, o portfólio promoveu 4.773 participações de empresas do setor em 240 projetos de promoção comercial em mercados estratégicos, com mais de US$ 1,247 bilhão em negócios gerados.
A título de ilustração, em março o Think Plastic Brazil apoiou a participação de 12 empresas brasileiras na The Inspired Home Show, uma das principais feiras de utilidades domésticas da América do Norte.
Ao longo da feira, essas empresas geraram 97 novos contatos, realizaram 140 reuniões de negócios, fecharam US$ 351 mil em vendas imediatas e projetam US$ 2,095 milhões em negócios para os próximos 12 meses.
A partir de hoje, o Mundo do Plástico, com auxílio do Think Plastic Brazil, dá início a uma série de conteúdos que vai auxiliar os transformadores a entender melhor o processo de exportação, os desafios e primeiros passos para ampliar sua carteira de clientes além das nossas fronteiras.
Como começar a exportar
Neste primeiro artigo, conheça os principais benefícios para a indústria de transformados plásticos e por que você deve começar a exportar.
1. Diversificação geográfica de receita
Uma empresa que vende apenas para o mercado interno está expostas a diferentes variáveis:
- Ciclo doméstico
- Taxa de juros
- Atividade industrial
- Câmbio
- Demanda do varejo
Vender para vários mercados, portanto, significa equilibrar essas oscilações.
“Quando o Brasil desacelera, talvez Argentina ou Chile cresçam. Quando a América do Sul aperta, talvez Europa ou Oriente Médio compensem”, indica Carlos Moreira.
Como exemplo, ele cita o cenário do ano passado. Enquanto a América do Norte recuou de forma expressiva para os transformados plásticos brasileiros, a Europa cresceu acima de 27%, e a América do Sul sustentou o desempenho agregado.
“Quem só vendia para um eixo, sofreu. Quem tinha base diversificada, conseguiu compensar.”
2. Redução da ociosidade industrial
Segundo o diretor-executivo de projetos do Think Plastic Brazil, o setor brasileiro de transformação plástica opera, em média, com cerca de 30% de capacidade ociosa.
Para uma indústria de capital intensivo, com custo fixo elevado, ocupar essa ociosidade com pedidos de exportação faz diferença direta na margem unitária.
“Cada tonelada adicional produzida sem a necessidade de novo investimento dilui custo fixo. Em câmbio favorável, esse efeito ganha ainda mais potência.”
3. Tecnologia e qualidade
“O mercado externo é exigente, e isso obriga a empresa a melhorar. Quando ela precisa atender a regulamentação europeia de reciclabilidade e conteúdo reciclado, a normas de contato com alimentos do mercado americano ou a certificações específicas do mercado africano e do Oriente Médio, ela acaba elevando seu padrão”, diz Moreira.
Esse padrão retroalimenta o mercado nacional, tornando a empresa mais competitiva também dentro do país.
4. Inovação
Muitos mercados externos fazem pressão por sustentabilidade, ecodesign e economia circular com mais intensidade do que no Brasil.
Assim, empresas que se internacionalizam tendem a antecipar tendências, investir em design, materiais reciclados, biopolímeros e rastreabilidade.
“O Brasil tem condição de liderar nesse tema. Nossa cadeia tem vantagens de matriz energética e de polietileno verde, por exemplo, e a exportação é o canal natural para capturar esse diferencial competitivo”, constata Moreira.
5. Ganho de escala e o acesso a investimentos
Empresa que se internacionaliza atrai capital e parceiros, e cria condições para se tornar uma multinacional regional.
“Para empresas menores, a escala adicional vinda da exportação muitas vezes é o que viabiliza investir em uma nova linha, em automação ou em pesquisa de novos materiais.”
6. Reputação
Estar presente em mercados internacionais fortalece a marca e a credibilidade da empresa, inclusive frente a clientes domésticos.
“Quando um comprador brasileiro descobre que a empresa exporta para Estados Unidos, Europa ou Oriente Médio, isso pesa positivamente na percepção de qualidade e governança. É um efeito indireto, mas relevante.”
7. Proteção contra concorrência externa
Quem aprende a competir no exterior contra produtos fabricados de China, Estados Unidos e Europa está mais bem preparado para enfrentar esses mesmos produtos quando eles chegam ao mercado doméstico.
“Em um cenário em que o megaporto chinês de Chancay no Peru entrou em operação e amplia o fluxo de manufaturados asiáticos para a América Latina, e em que a indústria nacional convive com importação relevante de resina e de produto acabado, ter músculo internacional é também ter músculo doméstico.”
Conclusão: sua indústria deve exportar?
Exportar traz, sim, muitas vantagens para a indústria de transformação do plástico. Mas não é porque a empresa começou a exportar que ela vai automaticamente crescer mais ou ficar mais rentável, alerta Moreira.
“Internacionalização é, na essência, uma estratégia de diversificação, e como toda diversificação, o que ela traz de mais imediato é redução de risco, não necessariamente lucro extra no curto prazo”, diz o diretor-executivo.
“O que ela faz, e isso sim é estruturante, é reduzir a dependência da empresa de um único mercado e ampliar as alternativas estratégicas. E isso, ao longo do tempo, costuma se traduzir em mais resiliência, mais aprendizado e mais rentabilidade.”
Nos próximos conteúdos, você vai conhecer quais os principais desafios para quem quer começar a exportar, como superá-los e os transformados mais demandados pelo mercado externo.
Continue acompanhando o Mundo do Plástico para saber mais e melhor sobre as oportunidades que o mercado externo oferece para a indústria do plástico.