Bastante utilizado para enfardamento e proteção de produtos, o filme termoencolhível é conhecido por sua capacidade de encolher e se moldar firmemente ao redor de um objeto quando exposto a uma fonte de calor. 

A novidade é a implementação de uma embalagem com 30% de plástico reciclado pós-consumo (PCR) pela Electrolux, grupo global de eletrodomésticos, para lavadoras fabricadas no Brasil. 

O que é filme termoencolhível? 

Filme termoencolhível é um material plástico que, como o nome diz, é projetado para encolher quando submetido ao calor, moldando-se ao produto (ou conjunto de produtos). 

Isso garante unificação e proteção durante o transporte e exposição, além de diminuir o peso das embalagens e, por consequência, o custo logístico. 

O processo de aplicação do filme termoencolhível compreende o envolvimento do produto, a selagem das extremidades e a aplicação de uma fonte de calor (soprador ou túnel) para que o filme tensione. 

A diferença em relação ao filme stretch é que enquanto este estica e adere a partir de tensão mecânica, o termoencolhível tem uma memória molecular que faz com que o plástico tente voltar à sua forma original quando aquecido. 

Como o filme termoencolhível é fabricado? 

O processo utilizado na transformação do filme termoencolhível é a extrusão.  

Uma vez dentro da máquina, o polímero passa por uma rosca, que o pressiona através do canhão aquecido e derrete até virar uma massa homogênea.  

Em seguida, é transformado em filme ao passar por rolos (matriz plana) ou soprado por ar comprimido (extrusão balão), quando, então, é resfriado, refilado nas bordas e enrolado em bobinas para transporte. 

A diferença do filme termoencolhível em relação aos filmes comuns é sua orientação biaxial. Durante o processo, quando o plástico ainda está abaixo do ponto de fusão, ele é esticado no sentido transversal e no sentido de máquina antes de ser resfriado. 

É nesta fase que o filme termoencolhível adquire sua memória molecular. Quando posteriormente ele é submetido a uma fonte de calor, as moléculas tentam voltar ao estado natural, encolhendo e se moldando ao objeto embalado.  

Os polímeros mais utilizados na fabricação de filmes termoencolhíveis são o polietileno, prolipropileno e PVC, mas também é comum o uso de blendas, com mistura de PEBD ou PEAD para dar mais flexibilidade, ou PELBD para aumentar a resistência física. 

O polímero pode também receber aditivos para garantir as características antiestáticas, de deslizamento, transparência e brilho antes de ser introduzido na extrusora. 

Filme termoencolhível reciclado 

A fabricação de filmes termoencolhíveis a partir de plástico reciclado é possível, mas demanda vários cuidados nas etapas da reciclagem

Por exemplo, a mistura de diferentes polímeros não detectada durante a separação tende a provocar o surgimento de pontos que podem romper o filme durante o estiramento biaxial.  

Durante a moagem, é importante que o tamanho dos flakes seja uniforme para garantir o derretimento constante na extrusora. 

Já a lavagem é essencial para a remoção de resíduos orgânicos e químicos que vão manchar o filme durante a extrusão, enquanto a secagem correta evita a geração de bolhas de vapor.  

Solução sustentável 

Electrolux Group anunciou recentemente a implementação de um novo filme plástico termoencolhível produzido com resinas recicladas pós-consumo nas embalagens das lavadoras fabricadas no Brasil.  

O filme foi desenvolvido em parceria com AGM Embalagens e Braskem, e conta com 30% de PCR. 

De acordo com João Zeni, diretor de Sustentabilidade do Electrolux Group América Latina, a novidade faz parte da estratégia global de circularidade do grupo, que possui uma nova meta global para ampliar o uso de materiais reciclados em seus produtos.

Até 2030, a empresa pretende que 35% dos plásticos e aços utilizados em sua fabricação sejam reciclados.  

Ele explica que o desenvolvimento da solução contou com etapas de formulação da resina, testes laboratoriais, validação industrial e ajustes de processo para garantir que a incorporação de 30% de conteúdo reciclado não comprometesse o desempenho e a performance do filme termoencolhível.  

“O resultado é uma solução pioneira em larga escala que reduz a pressão sobre recursos naturais e a pegada de carbono, mantendo a proteção necessária para o produto.” 

O filme utilizado nas lavadoras da Electrolux utiliza resinas que integram o ecossistema Wenew da Braskem, e é qualificado para oferecer alta transparência, segurança e resistência, e atender às especificações técnicas exigidas para um filme termoencolhível de alto desempenho. 

Desafios do filme reciclado

Zeni lembra que o principal desafio desse tipo de material em aplicações de grande escala é garantir o equilíbrio entre sustentabilidade e performance técnica.  

“Precisávamos assegurar que o filme mantivesse níveis equivalentes de resistência mecânica, capacidade de termoencolhimento e transparência em comparação ao material 100% virgem. Esses desafios foram contornados por meio da colaboração técnica entre as três empresas e testes rigorosos.”  

Outro ponto crucial, diz o diretor, foi garantir a viabilidade econômica e a estabilidade de fornecimento. 

“Hoje, conseguimos implementar uma solução que tem o mesmo custo do material virgem para a Electrolux, mas com um ganho ambiental significativo”, garante. 

Expansão para outras linhas e mercados 

Zeni antecipa que o projeto implementado em 100% das embalagens das lavadoras modelo Top Load produzidas no Brasil abre espaço para que seja replicada em outras linhas de produtos e até globalmente.  

“A intenção é que, conforme a maturidade tecnológica e a disponibilidade de matéria-prima avancem, possamos expandir essa tecnologia para todo o nosso portfólio no país”, adianta. 

Vale destacar que além dessa nova solução, o Electrolux Group já utiliza soluções circulares em componentes dos eletrodomésticos, como o polipropileno (PP) PCR.  

A empresa mantém uma parceria com a Braskem que entrega 15% de material reciclado em todas as lavadoras fabricadas no Brasil. “A circularidade já é uma realidade em diversos pontos da nossa cadeia produtiva”, afirma.