Com a preocupação de oferecer materiais e produtos sustentáveis ao mercado, a indústria de plásticos trabalha com diferentes estratégias e demandas que podem apoiar neste objetivo. Economia circular e reciclagem são dois temas importantes e com ampla discussão em todo o mundo, alcançando empresas e consumidores.

Na indústria, além da possibilidade de oferecer produtos sustentáveis e otimizar todo o processo produtivo para ser mais eficiente, a principal solução adotada hoje é a substituição da matéria-prima virgem pelas resinas pós-consumo (PCR) e pós-industriais (PIR).

Você já conhece estes termos? A seguir, entenda o que são e os principais diferenciais das resinas PCR e PIR.

O que é o PCR (Post-Consumer Recycled)?

A resina PCR é a resina reciclada após o uso do consumidor. PCR também é referida como Post-Consumer Resin. Assim, essa é uma resina obtida a partir de outros materiais plásticos já consumidos, principalmente embalagens.

Quando o consumidor destina o plástico para o descarte correto, tanto no lixo reciclável como em um programa de economia circular ou logística reversa, o produto pode ser transformado em resina novamente, sendo a PCR.

Para Amarildo Bazan, consultor especialista em polímeros:

“Material pós-consumo é aquele gerado por residências, comércio, indústria e instituições que cumpriram sua função inicial como produto, ou seja, quando o material não pode mais ser utilizado com o propósito inicial. Isto inclui o material descartado pela cadeia de distribuição, mas exclui o material pré-consumo (scrap de produção), conforme definido pela ISO 14021.”

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O que é o PIR (Post-Industrial Recycled)?

Já PIR, que também é entendida como Post-Industrial Resin, é a resina obtida a partir do material já utilizado na linha de produção de uma indústria. A resina PIR nunca chegou ao consumidor final, e tem o diferencial de já ser um material de qualidade e rastreável.

Um exemplo claro de PIR é o scrap industrial (refugo), como as aparas plásticas, galhos de injeção ou rebarbas obtidas durante a produção.

Bazan comenta que todas as aparas pós-industriais podem ser reaproveitadas. “Caso não possa ser aproveitada no processo original, poderá ser destinada a outro processo.” Muitas indústrias já fazem o reaproveitamento desta resina em sua própria linha produtiva, enquanto outras vendem ou compram este material de outras companhias buscando uma redução de custos.

Confira: Erros ao escolher resinas recicladas e como evitá-los

Diferenciais e vantagens operacionais destas resinas recicladas

A principal vantagem compartilhada entre PCR e PIR é poder reaproveitar a resina plástica, com a PCR criando produtos parcialmente reciclados. A chamada resina virgem, que é obtida por diferentes processos químicos a partir de matérias-primas como o petróleo, tem um alto custo de produção, consumindo mais eletricidade e água, o que eleva a pegada de carbono (carbon footprint) do produto final, indo na contramão das metas ambientais.

Contando com diferentes processos de reciclagem, a resina PCR pode ser obtida em cooperativas e também dentro da própria indústria. A compatibilidade de materiais, considerando que raramente é possível produzir com 100% de resina reciclada, exige a criação de um blend polimérico adequado. Esse é um ponto de observação crítico para o engenheiro de produto.

Quando a resina virgem é substituída por PIR, a resina já utilizada no processo industrial, a performance do material ainda é extremamente compatível. A resina pós-industrial tem alta qualidade e consistência. Já a resina reciclada após o consumo final é a ideal, mais prática e mais interessante para fins de sustentabilidade.

Bazan nos ajuda a entender melhor este cenário:

“A indústria de reciclagem foi formada com o objetivo claro de redução de custos, isto se aplica ao PIR e ao PCR de downcycling(onde o produto é vendido, após recuperado, a um preço inferior ao da resina virgem original). Também é válido explicarmos que, neste caso, esta resina não atende aos critérios de economia circular.

Nos últimos anos, as grandes marcas de bens de consumo, conhecidas como brand owners, iniciaram um processo rigoroso de responsabilidade ambiental e passaram a exigir em contrato o uso de embalagens com conteúdo de PCR.

Bazan continua:

Neste caso, o propósito é sustentabilidade e não mais saving(economia) como nos casos citados anteriormente, portanto nasceu o conceito de upcyclingonde o produto é vendido, mesmo reciclado, ao mesmo preço da resina virgem original ou até mais alto.

Portanto, para uma empresa com propósito sustentável, ela irá utilizar a resina reciclada PCR, mesmo que a cor não seja ideal e até conviverá com pequenas imperfeições na embalagem. Costumo dizer nestes casos que cuidamos da funcionalidade da embalagem.”

Entenda: Como garantir a rastreabilidade de resinas recicladas no processo produtivo

Como e quando trabalhar com o PCR e o PIR na linha de produção?

Bazan explica que, no geral, não existem diferença em aplicações destas resinas pois trata-se de uma mesma matéria-prima de fontes distintas. Para a indústria que deseja incluir PCR ou PIR em sua produção, “o primeiro passo é identificar um bom parceiro que possa garantir fluxo constante de fornecimento e qualidade lote a lote”. Depois, é necessário fazer a homologação de fornecedores e do processo com este novo material.

Pesquisar, avaliar seu processo e entender como trabalhar com os polímeros adequados e as resinas recicladas é o melhor caminho para que sua indústria possa se transformar e apresentar soluções sustentáveis. Assim como o especialista destaca, “reciclar é a arte de controlar, variações, contaminações em busca da repetibilidade dos processos”.

Para seguir aprendendo sobre sustentabilidade na indústria de plásticos, descubra o que é ESG.