Na hora de financiar uma máquina ou equipamento para ampliar ou modernizar seu parque fabril, o empresário brasileiro pode contar com linhas de crédito que têm como fonte recursos públicos e privados.
Mas é importante destacar que o financiamento não deve ser visto apenas como uma forma de obter recursos para novas aquisições, e sim como parte do planejamento de investimentos da empresa.
“Antes de buscar crédito, é importante entender exatamente o que se pretende adquirir, verificar o enquadramento do equipamento e conhecer as alternativas de financiamento disponíveis”, orienta Giselle Rezende, gerente de Financiamentos da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).
Linhas de crédito para automação e inovação
Por exemplo, o FINAME Máquinas 4.0 e o FINEP Inovacred 4.0 são linhas de recursos públicos voltadas especificamente à modernização tecnológica da indústria.
O primeiro é direcionado à aquisição de máquinas e equipamentos credenciados no CFI (Credenciamento de Fornecedores Informatizado) do BNDES que atendam aos requisitos associados à manufatura avançada, à Internet das Coisas (IoT) e às tecnologias da Indústria 4.0.
Quando a empresa pretende adquirir um equipamento por meio desta linha, é fundamental verificar previamente se ele está credenciado e se atende aos critérios.
Já o FINEP Inovacred 4.0 possui uma abordagem mais ampla, voltada à implantação de soluções de digitalização que promovam a inovação nos processos produtivos.
O projeto pode envolver diferentes equipamentos, sistemas, softwares, serviços e outras tecnologias habilitadoras, desde que estejam relacionados aos objetivos de inovação e digitalização previstos pelo programa.
Assim, uma mesma necessidade de automação ou robótica pode, dependendo de sua configuração, encontrar enquadramento em uma ou outra linha.
“Se o investimento estiver concentrado na aquisição de uma máquina ou equipamento 4.0 específico e credenciado, o FINAME pode ser uma alternativa. Quando o projeto envolve a implantação de uma solução mais abrangente, combinando equipamentos, sistemas, software, integração e outras tecnologias para transformar ou aprimorar processos, o Inovacred 4.0 pode ser considerado”, diferencia Giselle.
A gerente orienta que, na definição da modalidade, a empresa deve avaliar:
- O que será efetivamente adquirido ou desenvolvido;
- Como o investimento está estruturado;
- O grau de inovação e digitalização envolvido;
- A necessidade de integração entre diferentes tecnologias; e
- Os requisitos de enquadramento de cada programa.
“Dessa forma, a escolha não deve ser feita apenas pelo tipo de tecnologia — automação ou robótica —, mas principalmente pela natureza do investimento e pela forma como o projeto se enquadra nas regras de cada instrumento.”
Linhas de crédito para eficiência energética e redução de carbono
Entre os subprogramas do FINAME, o Baixo Carbono é o instrumento de financiamento voltado a estimular a aquisição de máquinas, equipamentos e sistemas que contribuam para a eficiência energética ou para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Embora a linha ofereça condições diferenciadas, Giselle reforça que o empresário deve avaliar a operação como um todo, considerando não apenas a taxa de juros, mas também prazo, carência, percentual financiável, garantias e custo total da operação.
“Sabemos que a sustentabilidade tem ganhado cada vez mais espaço na agenda da indústria, tanto pela busca por maior eficiência e redução de custos quanto pela crescente demanda por tecnologias de menor impacto ambiental. Essa transformação também é impulsionada por metas corporativas de sustentabilidade e pela transição para uma economia de baixo carbono.”
Na sua avaliação, ainda existe espaço para ampliar o conhecimento e o acesso a essas linhas, e é importante que as empresas conheçam os equipamentos elegíveis e que fabricantes e agentes financeiros estejam preparados para orientá-las sobre as alternativas disponíveis.
“Mais do que oferecer crédito em condições diferenciadas, essas linhas têm um papel estratégico para estimular a modernização tecnológica, aumentar a eficiência produtiva e apoiar a transição para uma indústria de menor emissão de carbono.”
Financiamento depende de análise de crédito
Mesmo que o empresário se certifique de que a máquina ou projeto estejam enquadrados na linha de financiamento escolhida, é importante lembrar que a concessão depende da análise de crédito realizada pelo banco ou agente financeiro.
Nessa avaliação, a instituição considera aspectos como:
- A situação financeira da empresa;
- Seu histórico de relacionamento e de pagamentos;
- Capacidade de pagamento; e
- As garantias exigidas para a operação.
Ou seja, o fato de uma máquina ou projeto ser elegível a determinada linha não significa, por si só, que o financiamento será aprovado.
Giselle chama atenção para o fato de que, muitas vezes, existem linhas e programas que podem ser adequados ao investimento, mas que exigem determinados critérios, documentos, credenciamentos ou condições específicas.
“Conhecer essas exigências antes de fechar a compra permite à empresa se preparar, reduzir a possibilidade de atrasos e avaliar com maior segurança a alternativa mais adequada.”
Outras modalidades para adquirir máquinas e equipamentos
Além das linhas de crédito públicas e privadas — FINAME, FINEP, CDC Máquinas e Equipamentos — o empresário pode buscar informações sobre outras modalidades para adquirir máquinas e equipamentos.
Entre as mais conhecidas estão o Leasing Industrial e o Consórcio de Máquinas, que oferecem acesso a bens de capital e podem atender a diferentes momentos de investimento, necessidades e perfis de empresas.
O Leasing Industrial, explica Giselle, é mais interessante para a empresa que precisa do maquinário rapidamente e quer preservar o caixa, pagando pelo bem ao longo do tempo.
A operação funciona de forma semelhante a um aluguel, com possibilidade de aquisição ao final do contrato, conforme as condições estabelecidas. Dependendo da estrutura da operação e do enquadramento da empresa, pode haver aspectos tributários a serem considerados.
Já o Consórcio de Máquinas é mais indicado para empresas que conseguem planejar o investimento com antecedência e não precisam da máquina ou equipamento imediatamente.
A empresa participa de um grupo e pode ser contemplada por sorteio ou lance, utilizando posteriormente a carta de crédito para aquisição do bem, de acordo com as regras do contrato.
Não há juros como em um financiamento tradicional, mas existem a taxa de administração, fundo de reserva e outros valores eventualmente previstos. Por isso, é importante avaliar o custo total da operação e as condições oferecidas pela administradora.
“De forma simples, se a empresa precisar do equipamento agora, o leasing pode ser uma alternativa a ser avaliada. Se o investimento pode ser planejado para o futuro, o consórcio pode fazer sentido”, compara a gerente da ABIMAQ.
“Em qualquer uma das opções”, ressalta, “é importante comparar o custo total, as condições contratuais e a adequação da modalidade ao planejamento financeiro e produtivo”.
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