Para a indústria, o acesso ao financiamento de máquinas e equipamentos é fundamental para modernizar o parque fabril, aumentar a produtividade, incorporar novas tecnologias e fortalecer a competitividade.
Quanto mais preparada e informada estiver a empresa, tanto em relação às linhas de financiamento disponíveis quanto à sua própria capacidade de crédito, melhores serão as condições de conduzir o processo de forma planejada.
Crédito para indústrias
As linhas de crédito para a aquisição de máquinas e equipamentos no Brasil dividem-se basicamente entre recursos públicos de fomento e operações bancárias privadas.
Veja as mais principais:
FINAME
Linha pública de fomento e desenvolvimento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), é a mais tradicional e estruturada para o setor industrial. É voltada para a aquisição e modernização de máquinas e equipamentos de fabricação nacional.
A linha é subdividida em subprogramas, como FINAME Máquinas 4.0, FINAME Baixo Carbono e BNDES Mais Inovação, entre outros, dependendo da finalidade (veja o catálogo completo aqui).
FINEP
Também pública, financia projetos que envolvam especificamente inovação, desenvolvimento tecnológico, digitalização e aprimoramento de produtos, processos ou serviços.
CDC (Crédito Direto ao Consumidor) Máquinas e Equipamentos
Operações de crédito comercial e privado, oferecidas diretamente por bancos comerciais para compra de máquinas nacionais ou importadas.
Qual linha de crédito escolher?
Entre as opções, é normal que o empresário fique em dúvida sobre qual linha de crédito escolher no momento de financiar uma máquina ou equipamento.
De acordo com Giselle Rezende, gerente de Financiamentos da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), antes de optar por uma modalidade de financiamento público ou privado o empresário deve considerar:
- Custo total da operação;
- Prazo;
- Carência;
- Garantias;
- Prazo de contratação; e
- Verificar se a linha é adequada à finalidade do investimento e à capacidade de pagamento da empresa.
“As linhas públicas, como FINAME e FINEP, podem oferecer prazos mais longos e condições financeiras diferenciadas, contribuindo para os investimentos e para o fortalecimento da competitividade da indústria.”
“Já alternativas privadas como o CDC”, continua, “podem oferecer maior agilidade e flexibilidade na contratação. Porém, é fundamental comparar o Custo Efetivo Total (CET), as garantias exigidas, o prazo e as demais condições da operação”.
A decisão, portanto, não deve considerar apenas a taxa de juros, mas o custo total, as condições de pagamento, a velocidade de contratação e a adequação do financiamento ao projeto e ao fluxo de caixa da empresa.
Desafios para acesso ao financiamento
Na avaliação de Giselle, a indústria de máquinas e equipamentos ainda enfrenta muitos desafios no acesso às linhas de crédito públicas e privadas.
Entre os principais estão:
- Alto custo do crédito;
- Exigências de garantias;
- Burocracia;
- Tempo de análise e aprovação; e
- Condições de enquadramento das operações.
Para ela, o custo elevado do crédito é um dos principais entraves ao investimento.
“Mesmo em linhas com condições mais competitivas, o custo final pode ser impactado pelos spreads dos agentes financeiros e pelo cenário de taxas de juros elevadas, reduzindo a capacidade de investimento das empresas e tornando alguns projetos economicamente inviáveis.”
Outro desafio importante, ressalta, são as garantias exigidas pelas instituições financeiras, já que muitas empresas, especialmente as de menor porte, não possuem ativos livres suficientes para oferecer em garantia.
Por isso, fundos garantidores e outros mecanismos de compartilhamento de risco são importantes para ampliar o acesso ao crédito e permitir que empresas com projetos viáveis consigam obter financiamento.
Giselle lembra que existem também os entraves burocráticos e documentais, como a necessidade de manter certidões e documentos fiscais, trabalhistas, ambientais e societários atualizados.
Além disso, prazos, carências, limites de financiamento e critérios de enquadramento nem sempre estão adequados aos ciclos de investimento do setor.
Neste sentido, a ABIMAQ defende que é fundamental avançar na ampliação e simplificação dos instrumentos de financiamento à indústria, com taxas competitivas, mecanismos de garantia mais acessíveis e redução de entraves burocráticos.
“O acesso ao crédito é também um instrumento de política industrial, essencial para estimular investimentos, modernizar o parque fabril, incorporar novas tecnologias e fortalecer a competitividade da indústria brasileira”, diz a gerente de Financiamentos da ABIMAQ.
Erros podem travar pedidos de financiamento
Além de todos esses desafios, alguns erros cometidos pelos empresários podem fazer com que o pedido de financiamento fique travado ou seja indeferido pelo BNDES ou pelos bancos privados.
Giselle aponta que os principais problemas estão relacionados à documentação incompleta ou desatualizada, informações inconsistentes e falta de atenção aos critérios de enquadramento da linha.
“No FINAME, o fabricante deve verificar com antecedência o credenciamento da máquina no CFI [Credenciamento de Fornecedores Informatizado] do BNDES, atender aos critérios exigidos e apresentar informações técnicas completas e corretas. Já o comprador deve confirmar se o equipamento está credenciado para a modalidade pretendida e se a operação atende à finalidade da linha, além de manter sua documentação em dia.”
Também é importante avaliar previamente as condições de crédito, garantias e capacidade de pagamento, pois somente o fato de o equipamento estar credenciado não significa aprovação automática.
Já na FINEP, explica Giselle, é fundamental demonstrar de forma clara o caráter inovador do projeto e sua aderência à linha de financiamento.
“A proposta deve apresentar de maneira consistente o que será desenvolvido ou aprimorado, os desafios tecnológicos envolvidos, as etapas de execução, o cronograma, os investimentos previstos e os resultados esperados.”
Nesse caso, a simples aquisição de uma tecnologia já disponível no mercado ou uma melhoria rotineira, sem um componente efetivo de desenvolvimento, não caracteriza, por si só, um projeto de inovação.
Ela reforça que, em ambos os casos, planejamento é fundamental.
“Verificar previamente os critérios da linha, manter os documentos atualizados, conferir as informações antes do protocolo e esclarecer eventuais dúvidas com o agente financeiro ou com a instituição responsável, tudo isso ajuda a evitar exigências, atrasos, retrabalho e até o indeferimento da operação.”
Na dúvida, busque ajuda especializada
A ABIMAQ, por meio do Departamento de Financiamentos (DEFI), oferece exclusivamente aos seus associados, de forma gratuita, orientação sobre alternativas de financiamento para o setor de máquinas e equipamentos.
Segundo Giselle, a entidade atua como um elo entre os fabricantes nacionais, seus clientes e as principais instituições de fomento do país, aproximando as empresas das alternativas de crédito disponíveis e conectando-as às instituições financeiras.
“Para os fabricantes, orientamos sobre processos como o credenciamento de máquinas no CFI do BNDES e na FINEP, além de informações sobre linhas de financiamento e programas de apoio à indústria.”
Já para os compradores, a entidade orienta sobre as opções de crédito disponíveis e as condições mais adequadas às suas necessidades.
A ABIMAQ também leva informação às empresas por meio de guias, materiais, webinars, workshops e comunicados sobre oportunidades de crédito e inovação. Além disso, promove reuniões e eventos entre as indústrias associadas e instituições parceiras.
“Nosso objetivo é facilitar o acesso à informação, aproximar as empresas das instituições financeiras e contribuir para um ambiente de financiamento mais compatível às necessidades da indústria.”
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