A pressão por redução de custos nas embalagens flexíveis aumentou. Gestores industriais buscam diminuir micragem, melhorar rendimento por quilo de resina e manter a performance nas empacotadoras automáticas.

A decisão entre polietileno de alta densidade (PEAD) e polietileno de baixa densidade (PEBD) deixa de ser apenas técnica. Ela passa a impactar produtividade, consumo energético, taxa de refugo e custo total da embalagem.

Diferenças técnicas entre PEAD e PEBD na produção de embalagens

A aparência do filme não conta toda a história. A principal diferença entre PEAD e PEBD está na estrutura molecular e no nível de cristalinidade.

  • PEAD: estrutura linear e maior empacotamento molecular. Apresenta maior cristalinidade, elevada resistência à tração e excelente barreira à umidade.
  • PEBD: estrutura mais ramificada. Possui menor densidade, maior flexibilidade, melhor resistência a impacto e melhor comportamento em selagem.

Outro ponto relevante é o Índice de Fluidez (IF). Esse parâmetro influencia a pressão na extrusora, a estabilidade do processo e o consumo energético. Resinas com IF inadequado podem gerar instabilidade no balão e perda de produtividade.

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Impactos do PEAD e PEBD na linha de produção plástica

A escolha da resina interfere diretamente no desempenho do processo de extrusão e conversão de embalagens flexíveis.

Estabilidade do balão

No processo de filme soprado, o PEAD permite a formação de balões mais estáveis e pescoços longos. Isso facilita a produção de filmes muito finos, inclusive abaixo de 10 mícrons, com bom controle dimensional.

O PEBD exige maior atenção ao sistema de refrigeração. Seu comportamento mais flexível pode gerar variações no balão quando o controle térmico não é adequado.

Selabilidade e Hot Tack

O Hot Tack representa a resistência da solda enquanto o material ainda está quente. Esse fator é crítico em empacotadoras verticais de alta velocidade (VFFS).

O PEBD e o PEBDL apresentam janelas de selagem mais amplas e melhor Hot Tack. O PEAD puro possui janela mais curta, o que pode causar falhas de solda.

O uso de PEAD puro em embalagens de alta velocidade costuma exigir coextrusão com PEBD ou PEBDL para garantir selabilidade adequada.

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Estratégias de redução de custos na produção de embalagens flexíveis

Reduzir custo não significa apenas escolher a resina mais barata por quilo. O foco deve estar no custo por unidade produzida.

Conceito Descrição Técnica
Downgauging Redução da espessura do filme plástico mantendo as propriedades mecânicas essenciais, como resistência ao rasgo, impacto e desempenho no uso final.
Custo por kg vs. custo por metro Embora o PEAD possa ter variação no preço por tonelada, sua maior resistência permite filmes mais finos, resultando em maior rendimento por metro linear e menor custo por embalagem.
Blendas com PEBDL A incorporação de polietileno linear de baixa densidade aumenta a resistência ao rasgo e ao puncionamento, viabilizando filmes mais finos, econômicos e com melhor desempenho técnico.

O PEBDL é amplamente aplicado em filme stretch, onde resistência mecânica e elasticidade são essenciais.

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Aplicações do PEBD e PEAD na produção de embalagens flexíveis

O uso correto de cada material depende da exigência mecânica, estética e logística da embalagem.

  • PEBD: filmes retráteis, sacarias industriais pesadas, embalagens com alto brilho no ponto de venda.
  • PEAD: sacolas de supermercado, liners industriais, filmes com alta barreira à umidade e gordura.

Há uma tendência crescente de migração de embalagens rígidas para flexíveis, especialmente pouches. Essa mudança reduz custos logísticos, consumo de material e emissões no transporte.

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Sustentabilidade na produção de embalagens flexíveis com PEBD e PEAD

Estruturas monomateriais baseadas em polietileno facilitam a reciclagem e atendem princípios de economia circular. Combinações de PEAD e PEBD são mais simples de reciclar do que laminados multimateriais.

O uso de resina PEAD reciclada pós-consumo (PCR) cresce no mercado. No entanto, a disponibilidade de fornecedores com qualidade consistente ainda é um desafio. 

Para embalagens alimentícias, a legislação exige barreiras funcionais e conformidade com normas da ANVISA.

A imagem foca especificamente no processo de envase e logística de produtos líquidos e pastosos.

Entenda: Erros ao escolher resinas recicladas e como evitá-los

Comparativo: como escolher entre PEBD ou PEAD ao fabricar embalagens flexíveis?

A escolha entre PEBD e PEAD na fabricação de embalagens flexíveis depende do equilíbrio entre desempenho mecânico, comportamento em máquina e custo final da embalagem. 

Comparar propriedades técnicas ajuda a direcionar a especificação da resina de acordo com a aplicação, o tipo de equipamento e a velocidade da linha produtiva.

Propriedade PEBD (Baixa Densidade) PEAD (Alta Densidade)
Transparência Alta, com bom brilho e clareza óptica Baixa, aparência leitosa ou fosca
Flexibilidade Excelente, com toque macio e boa maleabilidade Baixa, material mais rígido e com sensação “crocante”
Barreira à Umidade Boa proteção contra vapor d’água Excelente barreira à umidade
Selabilidade Excelente, com baixa temperatura de início de selagem Moderada, com janela de selagem mais curta
Resistência à Tração Moderada Muito alta

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Coextrusão como diferencial competitivo na indústria do plástico

A escolha entre PEAD e PEBD não precisa ser excludente. Em muitos projetos, a melhor solução está na coextrusão ou em blendas técnicas que equilibram custo, desempenho mecânico e selabilidade.

Avaliar a aplicação final, a velocidade da linha e o objetivo de custo é essencial. Para acompanhar tendências e decisões estratégicas sobre PEAD ou PEBD para embalagens flexíveis, continue acompanhando o Mundo do Plástico, o canal de conteúdo da feira Plástico Brasil.

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