Quando se diz que o plástico está presente em praticamente todos os aspectos da vida cotidiana, não é exagero. Neste início de ano, é hora de voltar a atenção para uma categoria que está em alta: os materiais escolares

Eles estão presentes dentro das mochilas e sobre as carteiras de milhões de alunos em itens que podem ter o plástico como matéria-prima principal ou como componente. 

Vamos aos exemplos? 

Plástico como matéria-prima principal 

  • Estojos; 
  • Pastas sanfonadas e com elástico; 
  • Réguas, esquadros, transferidores e gabaritos; 
  • Corpos de canetas esferográficas, hidrográficas e marca-textos; 
  • Clipes; 
  • Capas de encadernação. 

Componentes plásticos 

  • Laqueação de lápis de cor e grafite; 
  • Capas laminadas  e espirais revestidos de cadernos e apostilas; 
  • Cabos de tesoura e depósito dos apontadores; 
  • Mochilas e lancheiras; 
  • Frasco de cola branca. 

Quais os benefícios do plástico para o material escolar? 

O plástico oferece uma combinação de segurança, custo e versatilidade dificilmente encontrada em outras matérias-primas. 

O material escolar feito de plástico não solta lascas (como a madeira) nem oxida com o tempo (como o metal). Além disso, é significativamente mais leve, reduzindo o peso transportado pelos alunos. 

O plástico oferece também maior resistência à umidade e a produtos químicos (colas, tintas), e alta absorção de impactos. 

Por fim, a moldagem por injeção permite a criação de materiais com inúmeras variações de formatos e cores (inclusive transparência), contribuindo para a criação de designs diferenciados. 

Para os consumidores (alunos, pais e professores), os benefícios se estendem desde a economia até a segurança. 

Economia: o baixo custo de produção se traduz em preços menores e acessíveis a famílias de diferentes faixas de renda, o que facilita, inclusive, a reposição de itens danificados fora do período de volta às aulas sem afetar o orçamento doméstico. 

Limpeza e higiene: materiais escolares feitos de plástico podem ser lavados ou desinfetados sem perder suas propriedades.  

Segurança: além de serem atóxicos, na maioria dos produtos a flexibilidade do plástico não cria pontas perigosas quando o material se quebra.  

Personalização: com o plástico não só é possível criar materiais transparentes (essencial em réguas e demais instrumentos de medição), como também permite uma variedade de cores e acabamentos que tornam o material mais atrativo para as crianças. 

Por que a indústria deve atuar no segmento de material escolar? 

Há muitas vantagens para as indústrias que decidem atuar no mercado de material escolar. A maior delas, sem dúvida, é a previsibilidade. 

O período de volta às aulas (dezembro-fevereiro) é um dos eventos de consumo mais fortes do calendário varejista. Assim, é possível planejar a produção com antecedência, mesmo se tratando de um pico sazonal. 

A grande maioria dos materiais escolares feitos de plástico utiliza Polipropileno (PP) e Poliestireno (PS), que são resinas de baixo custo, fáceis de moldar e pigmentar, e com ótimo acabamento estético. 

Além disso, esses produtos utilizam processos de transformação que são padrão para a indústria: injeção (corpos de canetas, estojos, réguas), que permite a produção de milhões de unidades com o mesmo molde, e extrusão (pastas, espirais de cadernos). 

Material escolar e a reciclagem 

Somado aos benefícios já citados, os materiais escolares feitos de plástico são 100% recicláveis. O desafio está nos produtos multimateriais – por exemplo, uma caneta com corpo de plástico, mola de metal e carga de tinta – que deixam a separação e a reciclagem mais complexa. 

Ao mesmo tempo, já existem empresas especializadas em materiais escolares feitos com plástico reciclado pós-consumo (PCR). 

Um exemplo é a Ecoplast, que fabrica produtos com matéria-prima reciclada. Além dos benefícios ambientais, a prática gera emprego e renda aos catadores e cooperativas e contribui para educar as crianças sobre consumo consciente e economia circular. 

A empresa utiliza Polipropileno e Polietileno Tereftalato (PET) pós-consumo, e tem um vasto catálogo: agenda, régua, esquadro, transferidor, maletas, pastas e estojos, avental para pintura, apontador de lápis e outros. 

Seu portfólio inclui, ainda, outras opções sustentáveis, como materiais escolares fabricados com PP Biodegradável e Bioplástico PLA (Ácido Polilático). 

Materiais escolares precisam de certificação? 

No Brasil, os materiais escolares passam pela certificação Inmetro para garantir a segurança de crianças menores de 14 anos. A norma vale para materiais feitos ou não de plástico, virgem ou reciclado. 

A certificação é obrigatória para produtos fabricados ou importados, e está descrita na Portaria 423/2021, que consolida e estabelece os Requisitos de Avaliação da Conformidade (RAC) para artigos escolares. 

A portaria utiliza como base técnica a norma ABNT NBR 15236/2021 (Segurança de Artigos Escolares), que descreve os métodos específicos de ensaio em laboratório. 

Estes são os principais ensaios realizados em artigos escolares contemplados na norma  ABNT NBR 15236: 

  • Queda 
  • Compressão 
  • Flexão 
  • Torção 
  • Tração 
  • Partes pequenas 
  • Bordas cortantes e pontas agudas 
  • Acessibilidade de componentes 
  • Químicos e toxicológicos 
  • Determinação de tampa ventilada 

Não existe uma norma específica para materiais escolares feitos com plástico reciclado (pós-consumo ou pós-industrial). Eles devem seguir os mesmos critérios de segurança exigidos dos materiais feitos com plástico virgem ou outros materiais. 

Sua indústria fabrica materiais escolares? Confira também o Guia completo de Máquinas e Equipamentos para Transformação Plástica