Para muitas indústrias do plástico, a Inteligência Artificial (IA) já é uma realidade nos processos produtivos.  

É possível encontrar essa tecnologia em manutenção preditiva, otimização da produção, análise de dados, treinamento, redução do consumo de energia e em muitas outras aplicações que ajudam a melhorar a qualidade e produtividade. 

O assunto, inclusive, foi tema do Demonstrador da Indústria 4.0 na mais recente edição da EXPOMAFE, que dividiu a maturidade tecnológica das indústrias em cinco níveis (Informatização, Conectividade e Visibilidade, Visibilidade e Transparência, Capacidade Preditiva e Flexibilidade e Adaptabilidade), cada um deles representado por clusters formados por empresas, startups, universidades e centros de pesquisa.  

Como as empresas brasileiras vêm utilizando a Inteligência Artificial? 

O Panorama IA 2025, um estudo encomendado pela TOTVS, maior empresa de tecnologia do Brasil, e realizado em parceria com a h2r insights & trends, revelou que 50% das empresas brasileiras não estão usando inteligência artificial de maneira estruturada. 

Entre as que já utilizam IA nos negócios, 58% ainda estão em estágios iniciais de implementação, 34% em nível intermediário e apenas 8% consideram sua adoção avançada.  

O estudo, inédito no Brasil, traz um dado interessante sobre o tipo de aplicação da IA mais presente nas empresas. Em vez dos citados processos produtivos, despontaram nos primeiros lugares: 

  • 33%: geração de conteúdo (texto, resumos, e-mails e apresentações); 
  • 29%: criação de elementos visuais (29%); 
  • 21%: como ferramenta de cibersegurança (detecção de comportamentos suspeitos e funções similares); 
  • 20%: para atendimento (chatbots). 

“De fato, a pesquisa traz uma perspectiva interessante que pode contrariar a percepção comum”, contata Cristiano Nobrega, CDAIO da TOTVS. “Quando olhamos para os dados, vemos um uso expressivo especificamente da IA generativa em atividades de criação de conteúdo e imagens, especialmente em áreas como marketing, comunicação e comercial”.  

Segundo ele, isso acontece porque essas ferramentas são de certa forma mais novas, ficaram muito conhecidas pelas pessoas e são acessíveis e visíveis no dia a dia, funcionando como uma “vitrine” da inteligência artificial. 

“Por outro lado, muitas das aplicações industriais e operacionais da IA, como os modelos de machine learning para controle de qualidade, manutenção preditiva ou previsão de demanda, já estão integradas aos sistemas há mais tempo e de forma tão natural que muitos nem as identificam mais como de fato IA.” 

Não por acaso, a pesquisa apontou que ferramentas de IA conversacional, como ChatGPT, Gemini e Claude, são utilizadas por 40% das empresas. 

A percepção de valor da IA para as empresas 

O desafio da IA nas corporações não está apenas na desigualdade de percepção utilitária, mas também na baixa percepção do seu valor. 

O estudo da TOTVS revelou 93% das empresas não usam nenhuma métrica clara para medir os resultados do uso de inteligência artificial no negócio. 

“A falta de mensuração do ROI [retorno do investimento] em IA é realmente preocupante, pois sem mensuração, não há estratégia”, alerta Nobrega.  

Para ele, o fato de que apenas 7% das empresas constatam o ROI da IA é um alerta, pois é a partir dessa medição que a empresa passa a entender com mais clareza onde estão as alavancas de valor, o que funciona e o que precisa ser ajustado.  

“Mensurar o ROI permite que a organização integre a IA ao seu planejamento estratégico de forma mais consistente, deixando de tratá-la como um experimento pontual e passando a enxergá-la como um ativo real de geração de valor.” 

Entre as oportunidades surgidas dessa visão estratégica da IA, Nobrega cita: 

  • Aumento da eficiência; 
  • Melhoria na tomada de decisões; 
  • Identificação de novas oportunidades de mercado; e 
  • Desenvolvimento de produtos e serviços inovadores. 

Quais as principais barreiras para adoção da IA pelas empresas? 

Essa dificuldade em medir o retorno do investimento é apontada como uma das barreiras à adoção de IA por 32% das empresas. Outras 36% indicaram as preocupações com segurança, e 35% a falta de profissionais qualificados. 

Em seguida, aparecem a resistência dos funcionários à mudança (24%), dificuldade de integração com sistemas existentes (23%) e falta de apoio da liderança (23%). 

Para Nobrega, a transformação digital e a adoção da IA dentro dela são, antes de tudo, uma transformação cultural. Assim, o primeiro passo é garantir o engajamento da liderança, mostrando que a IA é estratégica para a empresa e não uma tendência passageira.  

Depois, é fundamental investir na capacitação dos times e na comunicação interna da estratégia, pois os colaboradores precisam entender como a IA pode melhorar seu trabalho, gerar valor para a empresa e criar oportunidades profissionais.  

“Transparência, diálogo e inclusão no processo de transformação são eficazes para reduzir a resistência e estimular a adoção. Também é importante começar por casos de uso simples, com resultados rápidos e mensuráveis. Isso gera confiança e abre caminho para projetos mais complexos”, diz. 

Para uma empresa de pequeno porte que ainda não utiliza IA em nenhum dos seus processos, sejam produtivos ou administrativos, o CDAIO da TOTVS indica os três primeiros passos fundamentais: 

  1. Ter sistemas de gestão atualizados, ou seja, estar na versão mais recente do ERP, que é o “cérebro” do negócio; 
  1. Olhar para a infraestrutura, de modo que as plataformas e tecnologias adotadas pela empresa rodem em nuvem; e 
  1. Investir na organização e qualidade da base de dados, já que a IA depende diretamente dessas informações para gerar valor. 

Qual o futuro da Inteligência Artificial nas corporações? 

Quanto mais cedo as empresas derem esses primeiros passos, entenderem a IA como ferramenta estratégica e medirem o retorno do investimento, mais preparadas estarão para o futuro da IA nas corporações: os Agentes de IA

Trata-se de sistemas especialistas, autônomos ou semiautônomos, que usam modelos de IA para responder a comandos ou tomar decisões, executar tarefas e se adaptar ao contexto do negócio de forma inteligente.  

“Estamos entrando em uma nova fase da inteligência artificial com os Agentes de IA, a era da agentificação”, aponta Nobrega.  

Segundo ele, esses sistemas não apenas executam comandos, mas também aprendem, tomam decisões, adaptam-se ao ambiente e interagem com sistemas e usuários de forma proativa.  

Em breve, eles serão responsáveis por automatizar tarefas cada vez mais complexas, desde o atendimento ao cliente até a gestão de processos logísticos ou financeiros. 

“Imagine um Agente capaz de cruzar informações de produção, estoque e previsão de demanda para ajustar automaticamente a cadeia de suprimentos. Ou outro que monitora continuamente o comportamento do consumidor e ajusta as campanhas de marketing em tempo real”, exemplifica. 

A expectativa é que esse tipo de Inteligência Artificial irá ampliar as capacidades humanas, liberando tempo dos profissionais para atividades mais estratégicas e levando a produtividade a um novo patamar.  

“Estamos diante de um salto quântico, uma mudança de paradigma na forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos com o mundo. É um salto comparável à revolução que tivemos com a internet, mas agora mais personalizado, automatizado e contextualizado”, antecipa Nobrega. 

Sua indústria já utiliza IA nos processos produtivos e administrativos? Aproveite para entender o conceito de maturidade tecnológica na transformação digital