A Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (ABIEF) acaba de apresentar seus resultados de 2025.

Segundo pesquisa Maxiquim feita com exclusividade para a associação, a indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis encerrou o ano com faturamento bruto de R$ 40,1 bilhões.

Embora em valores o resultado represente alta de 6,2% sobre 2024, a produção em volume registrou retração de 0,5% (2,321 milhões de toneladas).

Na avaliação do presidente da ABIEF, Eduardo Berkovitz, é preciso contextualizar os números de 2025 no cenário macroeconômico. Ele cita:

  • Crescimento de 2,3% do PIB brasileiro, abaixo dos 3,4% de 2024
  • Inflação de 4,26%
  • Avanço da taxa básica de juros de 15%, em dezembro, impactando o crédito, investimentos e consumo.

No acumulado desde 2010, a indústria de embalagens plásticas flexíveis apresentou crescimento médio anual de 7,2% em reais e retração de -0,7% em dólares.

Em relação ao mercado externo, no ano passado o setor registrou saldo comercial positivo em volume (12,8 mil toneladas, alta de 284,9% sobre 2024), mas permaneceu negativo em dólares pelo segundo ano consecutivo, em razão da sobreoferta global de resinas, que pressionou os preços internacionais.

Principais segmentos consumidores

Entre os segmentos consumidores de embalagens plásticas flexíveis, o destaque em 2025 foi a agropecuária, cuja demanda por embalagens plásticas flexíveis cresceu 9,7%, totalizando 316 mil toneladas.

Com isso, o segmento agroindustrial (filmes agrícolas, geomembranas e fertilizantes) avançou 10,1% na produção.

Já outros importantes segmentos consumidores apontaram recuo:

  • Indústria de alimentos (responde por 40% do total de embalagens produzidas): -3%
  • Higiene pessoal: -11,4%
  • Limpeza doméstica: -5,7%

Em consequência, em 2025 houve ligeira redução no consumo per capita de embalagens plásticas flexíveis: 10,8 kg por habitante/ano contra 11 kg em 2024.

Principais resinas transformadas

Em 2025, as principais resinas transformadas foram PEBD (polietileno de baixa densidade) e do PEBDL (polietileno linear de baixa densidade) que, juntas, responderam por 73% da produção.

Na sequência vieram PP (polipropileno), com 15%, e PEAD (polietileno de alta densidade), com 12%.

O uso de material reciclado permaneceu estável em 5% do total produzido (106 mil toneladas).

Raio-X da indústria brasileira de embalagens plásticas

  • 3.888 empresas convertedoras (1.638 só em São Paulo)
  • 116.283 empregos formais.
  • Estrutura predominantemente composta por micro e pequenas empresas: 36% têm até 4 funcionários

Expectativas para 2026

Para 2026, ainda segundo a pesquisa Maxiquim, o ano será pautado por:

  • Crescimento econômico moderado
  • Inflação relativamente controlada
  • Possível redução gradual da taxa de juros (na primeira reunião do ano, em maço, o Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75%)
  • Leve recuperação do consumo essencial

Fatores geopolíticos e macroeconômicos, porém, podem impactar a indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis de diferentes formas.

A pedido do Mundo do Plástico, o presidente Eduardo Berkovitz analisou as principais:

Guerra no Oriente Médio

Cenário: A escalada do conflito ampliou significativamente os riscos geopolíticos no Oriente Médio, uma região estratégica para o mercado global de petróleo. Desde o início das operações militares dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, no final de fevereiro, o barril do petróleo Brent registrou forte valorização, com picos acima de US$ 100, refletindo o temor de interrupções no fluxo internacional da commodity.

Um dos principais pontos de vulnerabilidade do conflito é o Estreito de Ormuz, corredor logístico por onde transitam aproximadamente 20% a 25% do petróleo comercializado no mundo, e que o Irã mantém parcialmente fechado em represália aos ataques. Qualquer restrição nesse canal provoca reação imediata nos mercados e pressiona os preços globais.

Berkovitz lembra que a elevação do crude (petróleo bruto) repercute diretamente no preço da nafta e do gás natural, principais matérias-primas da petroquímica, o que por sua vez aumenta os custos de produção de eteno e propeno, insumos básicos das resinas termoplásticas como polietileno (PE) e polipropileno (PP).

“Além da pressão sobre custos, há rupturas logísticas relevantes, como rotas marítimas evitadas, encarecimento do seguro de transporte e aumento do frete internacional. Esse conjunto de fatores cria um cenário de restrição de oferta e forte volatilidade de preços na cadeia petroquímica global.”

Acordo de livre comércio Mercosul e União Europeia

Cenário: A entrada em vigor provisória do tratado comercial, prevista para 1º de maio, representa um movimento relevante para o comércio internacional entre os dois blocos econômicos.

A fase inicial deve ativar o capítulo comercial do acordo, permitindo a redução ou eliminação de tarifas para milhares de produtos exportados entre os dois blocos. Estima-se que mais de cinco mil produtos provenientes do Mercosul possam passar a acessar o mercado europeu com tarifa zero já no início da implementação.

O acordo cria um espaço econômico que envolve mais de 700 milhões de consumidores e aproximadamente um quarto do PIB global, o que amplia significativamente as oportunidades comerciais para empresas da América do Sul.

Na avaliação de Berkovitz, para a indústria brasileira, incluindo segmentos ligados à petroquímica e à transformação de plásticos, o acordo pode representar maior acesso a mercados e potencial expansão das exportações.

“Ao mesmo tempo”, alerta, “exige adaptação a padrões regulatórios e ambientais mais rigorosos, característicos do mercado europeu”.

“Assim, enquanto o cenário geopolítico global pressiona custos e gera volatilidade nos insumos industriais, o acordo Mercosul-União Europeia tende a atuar como vetor de abertura comercial e ampliação de oportunidades de mercado.”

Reforma Tributária

Cenário: A reforma tributária brasileira entrou, a partir de janeiro, na chamada fase de transição, com a introdução gradual do novo modelo de tributação sobre o consumo baseado em dois impostos principais: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), estadual e municipal.

Neste primeiro ano, o sistema funcionará em regime de testes e o objetivo é validar sistemas fiscais, processos operacionais e infraestrutura tecnológica antes da implementação plena.

Até 2033, as empresas terão de operar com um modelo de dupla apuração, calculando simultaneamente os tributos atuais e os novos impostos.

“Para a indústria de transformação, esse período inicial representa um desafio operacional e tecnológico. Mas acreditamos que, no longo prazo, a adoção de um modelo de tributação sobre valor agregado deve reduzir o acúmulo de impostos e simplificar parte das obrigações fiscais”, projeta o presidente da ABIEF.

Veja aqui o balanço de 2025 e expectativas para 2026 da ABIPLAST e da ADIRPLAST.

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