Dados do último levantamento da indústria de transformação dos plásticos mostram que o Brasil foi responsável pela transformação de cerca de 7,1 milhões de toneladas de matéria-prima polimérica em produtos plásticos no último ano.
Mas, o que pouca gente sabe é que cada produto plástico transformado no país depende do uso de materiais com especificações que estejam afinadas com o desempenho da sua aplicação.
O que ocorre, porém, é que não há, ou é escassa, esse tipo de matéria-prima produzida no Brasil.
Importar é a solução mais viável para que a indústria nacional utilize este insumo com as especificações exatas para suas necessidades.
Neste cenário, cabe aos profissionais da área buscar opções em resinas e polímeros de engenharia no mercado externo, assim como entender o padrão de funcionamento da aquisição de resinas importadas.
Para ajudar no conhecimento deste mercado, a Plástico Brasil no Ar elaborou um bate-papo com Louise Ruiz, Analista de Mercado da Eixo Snetor Brasil e com ótima experiência neste tipo de importação.
Confira tudo o que foi dito sobre o tema neste artigo.
Por que importar matéria-prima polimérica é uma boa opção?
O mercado de transformação de plásticos é crescente no Brasil. Para que essa transformação ocorra, a indústria usa diversos tipos de materiais poliméricos, caso de resinas e polímeros de engenharia.
Porém, no Brasil, a diversidade destes tipos de matéria-prima é bastante reduzida ou é muito cara, devido à reduzida produção.
Tais fatos exigem do setor a busca por insumos no mercado externo.
Para Louise Ruiz, cinco são os motivos principais que estimulam a indústria do plástico a importar materiais poliméricos. São eles:
- A produção local de determinado insumo é inexistente;
- As empresas têm baixo acesso direto às petroquímicas;
- Há baixa flexibilidade de negociação, principalmente no preço, devido à não competição interna entre fornecedores;
- Permite desenvolver relacionamento com novos fornecedores. “A indústria não irá ficar presa a uma única fornecedora, tendo mais opções no mercado internacional”, ressaltou a Analista de Mercado;
- A diversidade de resinas é muito maior. Segundo explicou Louise, com a importação a indústria tem a possibilidade de comprar mais opções já homologadas. “Com essa diversidade, a indústria não fica mais presa a apenas uma resina”.
Dessa forma, com a possibilidade de importação, a indústria consegue promover a substituição de uma resina por outro material, mantendo a produção e a qualidade do produto.
Processo de importação de materiais plásticos: 3 modalidades básicas
Durante o bate-papo, Louise Ruiz também explicou que a importação de resinas, polímeros de engenharia e demais materiais plásticos costuma ocorrer em 3 modalidades diferentes:
- Importação por conta e ordem
- Importação por encomenda
- Importação por conta própria
Segundo explicou Louise, a importação por conta e ordem é aquela que tem menor risco para a indústria. “Nessa modalidade, a empresa firma um contrato de serviço com uma importadora, que cuidará dos trâmites burocráticos, entregando os produtos já nacionalizados ao cliente”, complementou.
A importação por encomenda é, segundo a especialista, a operação mais arriscada. “Nessa modalidade, toda a operação é efetuada pelo importador e com seus próprios recursos para ser posteriormente revendida ao cliente”.
A modalidade de importação por conta própria é aquela onde o importador é a própria empresa adquirente, além do cliente final da operação.
Com ela, a empresa importa para seu próprio consumo ou para revenda posterior no mercado nacional.
Diante da complexidade dessas modalidades de importação, a especialista recomendou a necessidade de ter um bom importador ao lado.
“É fundamental ter os serviços de uma empresa que seja expert no assunto, principalmente porque essa é uma operação de risco, complexa e que envolve uma série de custos”, recomendou.
Além disso, muitas empresas não têm os requisitos para realizar uma operação direta.
Por isso, os serviços de um importador tornam-se imprescindíveis. Eles também conseguem importar cargas fechadas ou fracionadas, de acordo com a demanda do cliente.
Materiais de engenharia são os mais procurados para importação
No Brasil, os materiais de engenharia são bastante demandados, porém eles não têm produção local. Consequentemente, a importação deles é relativamente comum, como exemplificou Louise Ruiz.
“Os principais fabricantes de polímeros de engenharia possuem suas plantas fabris fora do Brasil, então é um processo natural importar matéria-prima deles para usar por aqui.”
Além disso, os principais players deste mercado, que são os próprios fabricantes (petroquímicas), geralmente realizam a importação direta para seus clientes e na forma intercompany, ou seja, para uso próprio.
“Lá fora, estes são players muito bem consolidados e conseguem atender a grande massa da cadeia brasileira, além de empresas de importação e distribuição e componentes”, complementou Louise.
A especialista também explicou que trazer materiais de engenharia e demais resinas via importação é uma excelente opção por algumas razões que, segundo Louise são:
- Menor preço. “Na importação, a flexibilidade de preço é muito maior, principalmente em razão da alta competitividade lá fora para um mesmo produto”, complementou;
- Diferentes origens das matérias-primas, com acesso à diferentes países, impactando positivamente no preço;
- Traders têm acesso direto à diferentes petroquímicas com acesso às principais resinas de engenharia e demais produtos do mercado, tudo isso com uma ótima estrutura. “Além da experiência, as melhores importadoras garantem uma estrutura bastante robusta, reduzindo os riscos”;
- Importadores conseguem trazer resinas já homologadas lá fora, adiantando processos;
- Possuem certificação e garantia de origem.
Por fim, Louise Ruiz indica que para os próximos anos, a importação de diferentes resinas é um movimento crescente e com excelentes perspectivas.
“Temos que cuidar do consumo e do pós-consumo do plástico, mas certamente teremos este material ajudará a termos um futuro promissor”, finalizou.
Quer acompanhar todo esse bate papo? Então clique aqui e confira tudo que foi comentado por Louise Ruiz na Plástico Brasil no Ar.