Gestão, Reciclagem

Entenda quando vale a pena usar resina virgem ou reciclada nas produções

No dia a dia da indústria do plástico, ainda é comum encontrarmos empresas que utilizam equivocadamente a resina virgem ou a resina reciclada em suas produções. Enquanto algumas deveriam trabalhar com resinas virgens e acabam optando pela versão reciclada, outras poderiam usar resinas recicladas, mas recorrem às novas sem necessidade.

A seguir, separamos algumas dicas para ajudá-lo a entender melhor quando vale a pena usar cada uma das duas opções. Confira:

Resina virgem ou reciclada: como escolher a melhor opção para cada projeto?

Se você acredita que tanto faz utilizar resina virgem ou reciclada, saiba que nem sempre é possível utilizar a versão reciclada para produzir um material que seria fabricado com resina virgem e vice-versa. Embalagens flexíveis, por exemplo, podem ser produzidas com ambas as resinas, no entanto, de acordo com José Neto, chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Piauí, “os resíduos são separados manualmente, sendo analisados na separação dos diferentes tipos de plásticos, o aspecto visual e o som emitido quando é comprimido na mão (cristalinidade). Depois disso, o plástico selecionado é lavado, seco, moído e extrusado (ou extrudado). No setor de produção de embalagens, as resinas recicladas são, novamente, extrusadas, transformadas em filmes flexíveis e, posteriormente, em sacolas”.

Entretanto, quanto mais limpa é a resina adquirida (resina virgem), menor é o consumo de água utilizada na lavagem e maior é a possibilidade de obtenção de uma resina reciclada de boa qualidade no futuro – e, consequentemente, do produto final que tenha a performance desejada.

Por outro lado, a matéria-prima coletada (resina reciclada) demanda mais ciclos de lavagem e maior consumo de energia na secagem, além de não garantir um produto final de qualidade. Há situações em que é necessário, inclusive, reprocessar a resina reciclada.

Teoricamente, a economia instável favorece a opção pelos plásticos reciclados, cujo preço inferior ao das resinas virgens ajudaria a reduzir os custos dos produtos finais transformados. Além disso, o Brasil conta com uma lei específica para a disposição de resíduos sólidos, e as empresas estão tendo uma crescente preocupação com a sustentabilidade, o que pressupõe o reaproveitamento de materiais.

Avaliando os materiais para a opção pela resina virgem ou reciclada

Materiais reciclados, como Polietileno (PE) e Poliprolino (PP), são alternativos à resina virgem quando o uso é condicionado a produtos da cor preta, no entanto, eles têm como principal desvantagem o fato de precisarem de mais fluidez, sem margens.

Já o Poliestireno (PS) sofre com a perda de resistência quando passa pelo processo de reciclagem, o que o impede, portanto, de ser uma alternativa à resina virgem.

O Poliestireno Alto impacto (PSAI), por sua vez, tem, visualmente, o mesmo aspecto quando é produzido com resina virgem ou reciclada, mas é preciso tomar cuidado na hora da produção com resina reciclada para que o plástico não fique quebradiço.

O ABS sofre impacto quando é produzido com resina reciclável, pois quando recebe algum tipo de choque, perde qualidade. E o Poliacetal apresenta melhor custo-benefício quando produzido em resina reciclada, pois não oferece nenhum tipo de problema em relação às suas propriedades mecânicas.

Para finalizar, as poliamidas têm situação bastante semelhante ao ABS, pois visam resistência mecânica e não aparência.

Preço: um fator importante na escolha da resina virgem ou reciclada

A queda nos preços das resinas virgens no ano passado prejudicou os reciclados, que são competitivos se custarem, no máximo, 70% dos preços das resinas novas. Acima desse patamar, há espaço somente para reciclados de altíssima qualidade, ou para transformadores que utilizam volumes muito grandes. Atualmente, o preço do PET reciclado equivale a cerca de 70% daquele da resina virgem, enquanto nas poliolefinas, esse índice varia entre 70% e 80%, dependendo da qualidade do produto submetido à reciclagem.

Entretanto, como salienta Neto, “produtos desenvolvidos com plásticos reciclados, podem apresentar problemas, como elevados índices de contaminantes, odor desagradável e grande incidência de pintas, decorrentes de lavagem ineficiente”, destaca.

Embora a comparação apresentada foque o processamento dentro da indústria de transformação (portão a portão) entre a resina virgem e a resina reciclada, ”não se deve esquecer que uma visão ambiental mais abrangente precisa considerar todo o ciclo de vida do produto (berço ao túmulo)”, finaliza o chefe do Departamento de Química.

Ficou mais claro entender como escolher entre a resina virgem ou reciclada? Deixe sua mensagem no campo de comentários abaixo e continue acompanhando o nosso canal de conteúdo.

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