Assim como outros materiais (madeira, por exemplo), é normal que peças de plástico exalem odores característicos, tanto aquelas feitas com polímero virgem quanto reciclado.

Desde que não seja algo exagerado e desconfortável ou, ainda, que não esteja associado a uma possível degradação da peça, não há motivos para preocupação.

“Em muitos casos, o odor pode ser normal e intrínseco ao material. Havendo aprovação para uso desse material na aplicação específica, esses odores não devem representar nenhum tipo de risco, desde que, de fato, sejam os odores característicos e não os gerados por degradação”, diz o especialista Ricardo Cuzziol, técnico em plásticos pelo SENAI Mario Amato, engenheiro Químico e mestre em Engenharia Química com ênfase em Ciência e Tecnologia de Polímeros.

Origens do cheiro no plástico

Ele explica que a origem desses odores pode estar presente em diferentes momentos do processamento:

Transformação: quando são gerados gases de substâncias voláteis da composição do material. Essas substâncias às vezes possuem odores tão característicos que um técnico, posicionado ao lado da máquina, é capaz de identificar o material que está sendo moldado pelo odor que ele exala (o canal de Cuzziol tem uma aula só sobre esse tema).

Degradação e queima: a geração de voláteis e gases é mais intensa nestes casos, principalmente em peças expostas a altas temperaturas ou chama.

“O teste de identificação de materiais pela chama, além de avaliar as características como cor da chama, presença de fumaça ou fuligem e outras, também avalia o odor dos gases gerados”, completa.

Produto final: embora menos comum, uma peça pronta pode exalar odor se for exposta a altas temperaturas, quando pequenas quantidades de voláteis são geradas. A origem pode ser proveniente do próprio material ou de aditivos. Alguns poucos materiais podem apresentar odores mesmo na forma sólida, como alguns tipos de reciclados.

Aditivos

Por falar em aditivos, alguns deles, utilizados durante a produção ou transformação do plástico para melhorar suas propriedades (corantes, plastificantes, retardantes de chamas e outros), podem estar relacionados ao surgimento de odores.

Vale lembrar, no entanto, que existem aditivos que conferem fragrância aos materiais plásticos e que são usados pelos fabricantes justamente para conferir um odor particular e bastante reconhecível aos produtos, quase como uma “marca registrada”.

“Em resumo, pode ser algo próprio do material, pode vir do processo e das condições utilizadas e pode ser introduzido intencionalmente”, reforça Cuzziol.

O especialista lembra que, por outro lado, há aditivos chamados de neutralizadores de odores, que podem ser incorporados aos materiais, como o nome diz, minimizar odores que sejam característicos do material. 

Como evitar odores nos plásticos

Uma vez que as origens dos odores são múltiplas, os cuidados para evitá-los também o são.

Na etapa de processamento já citada, Cuzziol orienta que o transformador siga as condições de temperatura e tempo de exposição recomendados pelos fabricantes das resinas. Assim, a geração de gases voláteis e vapores de degradação será mínima e, por consequência, também os odores.

Já quando a peça estiver pronta, em alguns casos é recomendável deixar as peças “ventilarem” por algumas horas antes de serem embaladas, a fim de permitir a eliminação de voláteis e de odores.

“Esse procedimento foi bem comum em garrafas PET para evitar gosto em bebidas. Atualmente, a tecnologia de materiais evoluiu muito, mas em casos pontuais ainda pode ser um procedimento interessante”, aponta.

Reciclagem

O processo de reciclagem de plástico tem características próprias e pode acabar resultando em odores que não estavam presentes no material virgem.

Os motivos estão relacionados desde as sucessivas histórias térmicas dos materiais, especialmente se em algum dos reprocessamentos houve excesso de temperatura, até a absorção de substâncias com as quais o material teve contato durante sua vida útil.

Para os reciclados, valem os cuidados do plástico virgem na hora de evitar o surgimento de odores: controle de temperatura, ventilação etc.

Porém, com o adicional de que é necessário fazer uma seleção e separação criteriosas dos materiais para evitar aqueles contaminados por substâncias estranhas.

Qualquer que seja a origem do polímero, o consumidor deve ficar atento quando perceber odor excessivo ou diferente do usual para aquele produto.

“Se, além disso, estiver associado à alteração de cor da peça plástica, pode ser interessante entrar em contato com o SAC do fabricante para tirar a dúvida”, aconselha Cuzziol.

Sua indústria toma precauções para evitar o surgimento de odores em materiais plásticos? Conte para gente quais são.

E aproveite para conhecer também as certificações para plásticos reciclados.