Cargas na indústria da borracha: da classificação ao equilíbrio

Um viva às grandes ideias de pensadores que, ao longo da história, tornaram possível que a sociedade pudesse trabalhar rumo a uma espiral de desenvolvimento. E, a partir da primeira Revolução Industrial, esse aperfeiçoamento veio a galopes.

Não à toa, diversos segmentos industriais trabalham hoje em dia com elementos e composições que combinam suas melhores características em busca de performance, economia e durabilidade.

Neste aspecto, temos as cargas na indústria da borracha, cujo conceito, aplicações e funcionalidades são amplos, variados e devem ser observados com rigor e atenção para que suas qualidades sejam preservadas.

Quer saber um pouco mais a respeito das cargas? Acompanhe.

O que são cargas?

Segundo a norma NP ISO 1382, uma carga é um ingrediente de composição sólida, normalmente adicionado, em quantidades relativamente grandes, às composições de borracha ou de látex por razões técnicas ou econômicas. “Econômica, porque a carga ajuda a diluir a borracha, seja no volume ou no peso, barateando a sua produção” relata o engenheiro de produção Leandro Ribeiro, que complementa: “Quando falamos no aspecto técnico da coisa, a carga pode ser usada para moldar as características de um produto, como em processos de extrusão, ou para dar mais durabilidade a ele e, até mesmo, um melhor desempenho.”

Essa prática tem se tornado mais comum na indústria da borracha. Afinal, desde os primórdios da indústria, existe a preocupação em produzir mais, em menos tempo e com mais economia e qualidade.

O que significa a carga ideal?

Como vimos, a ideia de usar as cargas na indústria de borracha consiste em equilibrar a qualidade do material, reduzindo seu custo.

Ou seja: conservar a elasticidade do produto, mantendo o seu custo baixo, entre outros fatores, como:

  • Resistência mecânica;
  • Estabilidade térmica e dimensional;
  • Resistência química;
  • Atoxidade.

Dessa maneira, existem diferentes classificações de carga, que têm sido utilizadas para uma série de aplicações e funcionalidades dentro desse amplo setor industrial.

Classificações de cargas na indústria da borracha

Com base na cor das cargas

A classificação é uma das mais práticas, segmentada por:

  • Cargas negras (como carbono e grafite);
  • Cargas brancas (como sílicas, silicatos, carbonatos ou talcos, entre outros).

Classificação reforçante

Classificação pelo comportamento do material com o uso de cargas, podendo ser:

  • Reforçante: sílicas, silicatos, carbonato de magnésio e tipos caulinos. Usados por oferecerem elevado grau de reforço.
  • Semi-reforçantes: carbonatos de cálcio e de magnésio – usados por disporem de grau médio de reforço.
  • Inertes ou diluentes: talco, celulose em pó e grafite – não contam com reforço, embora sejam maleáveis, considerados inertes, em dosagens moderadas, e capazes de enfraquecer as propriedades vulcanizadas em altas doses.

Classificação por conta do tamanho das partículas

O tamanho das partículas afeta diretamente nas propriedades mecânicas do produto. O que significa que, quando existe um excesso de partículas (grossas ou finas), as propriedades reológicas podem ser prejudicadas, o que levanta a preocupação com problemas relacionados à dispersabilidade de carga, e, também, à processabilidade dos materiais.

O que ponderar ao escolher cargas na indústria da borracha?

O equilíbrio, como vimos até aqui, é o elemento em comum para qualquer produção que foca em cargas em seus produtos de borracha.

Assim, vale combinar os diferentes tipos de cargas, buscando economizar no investimento, mas sem perder a qualidade das propriedades pretendidas.

Ribeiro também ressalta a importância em buscar uma solução que seja o meio-termo pontual para que, ao ganhar em uma qualidade, outras não se percam no processo.

“Prestar atenção nas propriedades é o segredo, já que as cargas reforçantes, por exemplo, aumentam a viscosidade dos compostos e ajudam na resistência ao rasgamento dos vulcanizados, o que também pode reduzir o alongamento na rotura e a resiliência” explica o engenheiro.

Por isso, convém buscar, sempre, um equilíbrio que reforce as propriedades de maior interesse, mas sem reduzir a qualidade em outros aspectos que podem, até mesmo, desvalorizar o produto.

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